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05 de abril, 2002 - Publicado às 10h47 GMT
1986: Maradona ganha a Copa para Argentina
Torcida comemora bicampeonato
Torcida comemora bicampeonato

Ricardo Acampora

Maradona comandou a equipe da Argentina na campanha vitoriosa do bicampeonato, na Copa de 1986. Já o Brasil voltou mais cedo para casa, eliminado, nos pênaltis, pela França, nas quartas-de-final.

O México ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo pela segunda vez, depois de a Colômbia, inicialmente escolhida para abrigar o campeonato, desistir do torneio, alegando falta de dinheiro para as obras necessárias à criação da infra-estrutura exigida.

O Brasil foi escolhido cabeça-de-chave do grupo D, formado também pela Espanha, Irlanda do Norte e Argélia.

A seleção brasileira jogaria todas as partidas no estádio Jalisco, em Guadalajara, local da vitoriosa campanha da Copa de 70.

Primeiras fases

O comando da seleção continuou entregue a Telê Santana, técnico que privilegiava os esquemas ofensivos que sempre caracterizaram o futebol brasileiro.

Telê tentou como pôde manter a base da excelente seleção que tinha levado à Espanha quatro anos antes. Zico era o seu maior problema. Contundido seriamente no joelho, estava longe de sua melhor forma e seu aproveitamento era incerto.

No jogo de estréia, a seleção brasileira suou para vencer a Espanha por 1 a 0, com gol de Sócrates, marcado no segundo tempo.

No segundo tempo, o Brasil, ainda sem contar com Zico, voltou a jogar mal e a ganhar de 1 a 0. Desta vez, o gol foi do centroavante Careca.

A seleção confirmou a classificação para a segunda fase ao vencer a Irlanda do Norte no terceiro jogo por 3 a 0. Foram dois gols de Careca e um golaço do lateral do Botafogo, Josimar, com uma bomba de fora da área. O chute forte pegou um efeito esquisito e entrou no ângulo do gol irlandês. Zico entrou no segundo tempo no lugar de Sócrates para pegar ritmo de jogo.

Na segunda fase, o time do Brasil passou a apresentar um bom futebol, mostrando mais entrosamento e um belo toque de bola. Mas, apesar da fácil vitória de 4 a 0 sobre a Polônia, era evidente que a seleção não tinha mais o poder ofensivo do time de 82. Seu esquema tático revelava claramente preocupações defensivas.

Em entrevista à BBC, o técnico Telê Santana explicou a substituição do talentoso Falcão pelo limitado Elzo: "Precisávamos aumentar a consistência defensiva do meio-de-campo, para que nosso ataque pudesse desenvolver as jogadas ofensivas com mais tranqüilidade."

No começo da Copa, a Dinamarca era apontada como uma das favoritas, um time com futebol coletivo semelhante ao "carrossel" holandês de 74.

Na primeira fase, o time dinamarquês, apelidado de "Dinamáquina", goleou o bom time do Uruguai por 6 a 1 e derrotou a poderosa Alemanha por 2 a 0.

Mas, na fase seguinte, a máquina dinamarquesa emperrou e o time foi eliminado pela Espanha com uma goleada de 5 a 1. Neste jogo, o atacante espanhol Emilio Butragueño, "El Bugre", marcou quatro gols.

Espanha, Brasil, França, Bélgica, Inglaterra, Argentina, México e Alemanha fariam as quartas-de-final da Copa.

Brasil eliminado

O adversário do Brasil seria a França de Michel Platini, Tigana e Girese, um time com estilo de jogo aberto como o brasileiro.

Como a seleção brasileira, a França apresentava uma base composta por uma geração de craques em decadência, que disputaria a sua última Copa do Mundo.

Jogando ofensivamente, os dois times fizeram um grande espetáculo para o público. A partida foi considerada pela Fifa a mais técnica da Copa.

O Brasil começou dominando e aos 17 minutos de jogo o centroavante Careca completou de primeira uma bela troca de passes do ataque brasileiro.

Mas, antes do final do primeiro tempo, um descuido da zaga brasileira permitiu que Platini completasse um cruzamento, empatando a partida.

No segundo tempo, Telê colocou Zico no lugar de Mueller. Logo na primeira jogada, Zico deu um ótimo passe para o lateral Branco, que foi derrubado na área.

Encarregado da cobrança, Zico bateu fraco, permitindo a defesa do goleiro Bats. O empate de 1 a 1 prevaleceu até o final do tempo normal. Também não houve gols na prorrogação de 30 minutos, o que levou o jogo a ser decidido nos pênaltis.

Sócrates e Júlio César desperdiçaram suas cobranças. Pela França, apenas Platini não marcou. O Brasil estava eliminado de mais uma Copa do Mundo.

Por ter perdido o pênalti no tempo normal, Zico foi duramente criticado pela torcida. Foi chamado de displicente e de responsável pela eliminação do Brasil.

Em entrevista à BBC, Zico rebateu as críticas e negou que tenha sido displicente: "Não houve displicência. Na verdade eu tinha acabado de entrar e ainda estava meio frio, ainda não estava no ritmo da partida. Não queria cobrar, mas acabou sobrando para mim, pois no treino do dia anterior eu tive o melhor índice de aproveitamento."

Para o lateral Junior, o que faltou foi "criatividade e um pouco de sorte."

Mão de Deus

Curiosamente, nas quartas-de-final, somente o jogo entre a Argentina e a Inglaterra não precisou ser decidido nos pênaltis.

Foi um gol de mão, de Maradona, que decidiu a partida. Maradona disputou de cabeça uma bola com o goleiro Shilton e usou a mão para tocar o balão para as redes. O juiz não percebeu a malandragem e validou o gol que acabou desclassificando a Inglaterra.

Depois do jogo, Maradona foi cínico ao se referir ao recurso antiesportivo. Ele disse que fez o gol com a cabeça e com a mão de Deus.

Mas a deslealdade do craque não tira o brilho do primeiro gol de Maradona na vitória de 2 a 1 contra os ingleses.

Num verdadeiro "gol de placa", Maradona driblou uma fila de ingleses desde o meio-de-campo até o gol adversário. Depois de driblar também o goleiro Shilton, Maradona simplesmente tocou para o gol vazio.

Final

Nas semifinais, Argentina e Alemanha venceram, respectivamente, a Bélgica e a França pelo mesmo placar de 2 a 0, classificando-se para a grande final.

Contra a Bélgica, a Argentina teve outro golaço de Maradona, que conseguiu romper a marcação de vários zagueiros com jogadas geniais.

Num jogo de grande emoção, a Argentina, sob comando de Maradona, venceu na final a forte equipe da Alemanha por 3 a 2, conquistando o bicampeonato mundial.

Maradona repetiu em 86 para a Argentina o que Garrincha, em 62 no Chile, e Pelé, em 70, no México, tinham feito para o Brasil. O craque inventou jogadas sensacionais e enloqueceu seus marcadores, comandando as vitórias de seu time.

A Copa do México marcou o fim de uma das maiores gerações de craques do futebol mundial. Seria a última Copa de Zico, Falcão, Junior, Sócrates, Reinaldo, Leandro e Toninho Cerezo para o Brasil, e de Platini, Tigana, Girese para a França, e de Rummenige para a Alemanha.

Seleção Brasileira

Carlos, Edson, Edinho, Junior, Casagrande, Careca, Julio César, Alemão, Branco, Sócrates, Elzo, Oscar, Falcão, Muller, Zico, Edivaldo, Paulo Victor, Josimar, Mauro Galvão, Silas, Valdo e Leão.

Resultados:

Grupo 1:

Bulgária 1 X 1 Itália
Argentina 3 X 1 Coréia do Sul
Coréia do Sul 1 X 1 Bulgária
Itália 1 X 1 Argentina
Argentina 2 X 0 Bulgária
Itália 3 X 2 Coréia do Sul

Grupo 2:
México 2 X 1 Bélgica
Paraguai 1 X 0 Iraque
México 1 X 1 Paraguai
Bélgica 2 X 1 Iraque
México 1 X 0 Iraque
Paraguai 2 X 2 Bélgica

Grupo 3:
França 1 X 0 Canadá
URSS 6 X 0 Hungria
França 1 X 1 URSS
Hungria 2 X 0 Canadá
URSS 2 X 0 Canadá
França 3 X 0 Hungria

Grupo 4:

Brasil 1 X 0 Espanha
Argélia 1 X 1 Irlanda do Norte
Brasil 1 X 0 Argélia
Espanha 2 X 1 Irlanda do Norte
Brasil 3 X 0 Irlanda do Norte
Espanha 3 X 0 Argélia

Grupo 5:

Dinamarca 1 X 0 Escócia
Uruguai 1 X 1 Alemanha Ocidental
Dinamarca 6 X 1 Uruguai
Alemanha Ocidental 2 X 1 Escócia
Escócia 0 X 0 Uruguai
Dinamarca 2 X 0 Alemanha Ocidental

Grupo 6:

Marrocos 0 X 0 Polônia
Portugal 1 X 0 Inglaterra
Inglaterra 0 X 0 Marrocos
Polônia 1 X 0 Portugal
Marrocos 3 X 1 Portugal
Inglaterra 3 X 0 Polônia

Oitavas-de-final:

Bélgica 4 X 3 URSS
México 2 X 0 Bulgária
Brasil 4 X 0 Polônia
Argentina 1 X 0 Uruguai
França 2 X 0 Itália
Alemanha Ocidental 1 X 0 Marrocos
Inglaterra 3 X 0 Paraguai
Espanha 5 X 1 Dinamarca

Quartas-de-final:

França 1 X 1 Brasil (França venceu nos pênaltis: 4 X 3)
Alemanha Ocidental 0 X 0 México (Alemanha Ocidental venceu nos pênaltis: 4 X 1)
Argentina 2 X 1 Inglaterra
Bélgica 1 X 1 Espanha (Bélgica venceu nos pênaltis: 5 X 4)

Semifinais:

Alemanha Ocidental 2 X 0 França
Argentina 2 X 0 Bélgica

Disputa pelo terceiro lugar:

França 4 X 2 Bélgica

Final:

Argentina 3 X 2 Alemanha Ocidental

Clique para ler:
Maradona, herói e vilão de 86
França, a azarada dos anos 80

Clique aqui para ver a galeria de fotos da Copa de 1986

Clique aqui para ouvir a história desta Copa (em Real Audio), com narração de Ricardo Acampora
 
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