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08 de novembro, 2002 - Publicado às 09h50 GMT
O papel da rainha



 Clique aqui para ouvir esta coluna do Ivan Lessa

Na semana que vem, a rainha Elizabeth II pronunciará a sua Fala do Trono. Trata-se de um desses passes de mágica compreensíveis apenas num país que deu ao mundo o Senhor dos Anéis e Harry Potter.

O que acontece é o seguinte: na terça-feira, a rainha, de óculos e tiara, sobe ao trono, em cerimônia das mais solenes, e lê o programa do governo para o país no ano que vem e nos subseqüentes e previsíveis, contanto, é claro, que por “este governo” se entenda o que, no momento, detém o poder, ou seja, o neo-trabalhista, por assim dizer.

Trata-se de um ritual cuja origem remonta à instituição da mãe-Parlamento, e o texto vem sempre em pergaminho, que a rainha pega na mão e lê com voz e inflexão as mais inexpressivas do mundo.

Numa época em que os pontos eletrônicos vão a cada dia se tornando mais sofisticados, vejo com muita simpatia alguém segurando um pergaminho com belas, embora possivelmente enganosas, palavras nele inscritas.

Acontece que, com essa história de globalização, informatização ou seja lá o nome que quiserem dar, andam pensando em modernizar a Fala do Trono.

Não, não vão abrir mão da coroa de Sua Majestade. Acho pior. Querem acabar com o pergaminho. Papel de pergaminho, como quase todo mundo sabe, é feito com pele de cabra, bode ou cordeiro.

Sua preparação é mais antiga ainda do que juntar uma porção de gente num edifício e deixar discussão e legislação correrem.

A firma de William Cowley, que não emprega mais que dez pessoas, é a que fornece o pergaminho a um custo de 27 libras esterlinas a página, ou seja, uns US$ 42.

Toda a legislação parlamentar britânica está inscrita em pergaminho. A conta para 1998, por exemplo, foi de mais ou menos US$ 100 mil.

Mas se botarem em exibição em galeria de arte e chamarem de conceitual, eu sou capaz de dar uma chegada para ver. É bonito demais. Tudo naquela caligrafia elegantérrima com um jeitão de já estar entrando para a História com agá maiúsculo.

E não adianta os modernizadores virem com aquele papo verde de reciclagem, coisa e tal. Tudo é subproduto da criação de gado, e feito à mão, além de ser orgânico, sim senhor.

Não nos esqueçamos: uma monarquia sem pergaminho está a dez minutos de virar república.

 Clique aqui para ouvir esta coluna do Ivan Lessa
 
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