Estados Unidos não irão torturar, afirma Obama

Hillary Clinton e Barack Obama
Image caption Obama e Hillary durante anúncio no Departamento de Estado

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira que os EUA ''não irão torturar'' em seu combate a atividades terroristas e na perseguição aos perpetradores de tais atos.

Obama afirmou que "uma nova era na liderança americana está começando", pouco após ter assinado um decreto que determina o fechamento dentro de um ano da prisão da base militar americana na Baía de Guantánamo, em Cuba.

Nesta quarta-feira, o presidente também assinou medidas que determinam a revisão de tribunais militares de suspeitos de terrorismo e vetam o uso de métodos extremos de interrogatório de prisioneiros.

Os comentários do líder americano foram feitos na sede do Departamento de Estado, durante o primeiro dia de trabalho da nova titular da pasta, a ex-senadora Hillary Clinton.

Obama fez seu pronunciamento pouco após o anúncio de que os Estados Unidos contarão com um enviado especial ao Oriente Médio, o ex-líder da maioria no Senado americano, George Mitchell, e um enviado especial ao Afeganistão e Paquistão, o ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU, Richard Holbrooke.

Os dois nomes têm um histórico de êxito em negociações em áreas de conflito. Mitchell foi o negociador americano na Irlanda do Norte e Holbrooke cumpriu papel idêntico na Bósnia.

Enviados

Mitchell irá ao Oriente Médio para tentar garantir a implementação de um cessar-fogo duradouro na Faixa de Gaza, território palestino que foi devastado por 22 dias de ofensiva militar israelense contra o movimento Hamas, que controla a região.

Apesar de mais conhecido por sua participação na resolução do conflito irlandês, o ex-senador também foi indicado pelo ex-presidente Bill Clinton para negociar acordos de paz entre israelenses e palestinos.

Ele é autor de um relatório, datado de 2001, no qual pedia o fim da construção de assentamentos israelenses em territórios palestinos e a repressão por parte dos palestinos de atos terroristas.

Richard Holbrooke é reconhecido por seu envolvimento com os acordos de paz de Dayton, que puseram fim à guerra na Bósnia.

Ele era um dos favoritos para o posto de secretário de Estado na gestão de Bill Clinton, mas acabou perdendo o cargo para Madeleine Albright.

Faixa de Gaza

Durante o anúncio, Obama deu as primeiras declarações sobre o conflito entre israelenses e palestinos na Faixa de Gaza desde que tomou posse, na última terça-feira.

O presidente dos Estados Unidos afirmou que o enviado especial para o Oriente Médio, George Mitchell, irá "assim que possível" para a região para tentar alcançar um cessar-fogo "duradouro e sustentável" no conflito.

"Será uma política de meu governo procurar ativamente e agressivamente a paz entre israelenses e palestinos, assim como de Israel com seus vizinhos árabes", disse.

Obama afirmou que, para que um cessar-fogo seja atingido, o grupo palestino Hamas deve interromper o lançamento de foguetes contra Israel e o país deve completar a retirada de suas tropas da região.

"Os Estados Unidos e seus aliados apoiarão medidas para o fim do contrabando na região, para que o Hamas não possa se rearmar", disse.

Obama, no entanto, também pediu que Israel abra as fronteiras de Gaza, "para permitir a entrada de ajuda e o comércio, com um regime apropriado de monitoramento internacional e com a participação da Autoridade Palestina".

"Assim como o terror do lançamento de foguetes contra israelenses inocentes é intolerável, também é intolerável um futuro sem esperança para os palestinos".

O presidente dos EUA também se disse "profundamente" preocupado com as mortes de palestinos e israelenses na última ofensiva na Faixa de Gaza e com a crise humana na região.

"Nossos corações estão com os civis palestinos, que estão necessitando urgentemente de comida, água limpa e auxílio médico básico".

Reiterando o apoio americano "ao direito de defesa de Israel", o presidente sinalizou que a solução dos conflitos passa pela construção de um Estado palestino.

"Uma paz duradoura necessita de mais que um cessar-fogo longo. É por isso que eu sustento um compromisso ativo para a busca de dois Estados vivendo em paz e segurança lado a lado", disse.