Estudo global indica aumento da confiança de brasileiros em empresas

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Image caption Edelman diz que pessoas atribuem melhorias na vida a empresas

A confiança dos brasileiros em empresas e bancos aumentou em 2008, ao contrário da tendência verificada em países desenvolvidos, de acordo com o indicador Barômetro da Confiança Edelman, divulgado nesta terça-feira.

Segundo a pesquisa da empresa de relações públicas Edelman, com sede em Nova York, a confiança dos brasileiros nas empresa cresceu de 61% para 69% no ano passado, e nos bancos, de 52% para 59%.

No resultado global, 62% dos entrevistados em 20 países disseram confiar menos nas corporações hoje do que há um ano.

Para chegar a esse dado, os entrevistados responderam por telefone à pergunta: "Com base em tudo que você leu, viu ou ouviu sobre empresas no ano passado, em geral, você confia muito menos nas corporações, um pouco menos, a mesma coisa, um pouco mais ou muito mais do que na mesma época no ano passado?"

A pesquisa entrevistou pessoas que leem jornal ou assistem a telejornais várias vezes por semana e acompanham de perto temas ligados a políticas públicas.

Ao todo, 4.475 pessoas da faixa dos 25 a 64 anos de idade foram entrevistadas, todas com nível superior, entre meados de novembro e dezembro de 2008.

Queda

Nos Estados Unidos, apenas 38% dos entrevistados confiam nas empresas, uma queda de 20 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

Os níveis são mais baixos do que os registrados no ano em que estourou a bolha das empresas de internet, no ano do escândalo da gigante de energia Enron ou mesmo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. A confiança no setor bancário nos Estados Unidos também caiu, de 69% para 36%.

"Foi um ano catastrófico para as empresas, muito além das evidentes perdas nos mercados de ações e da necessidade de financiamento de emergência por parte de governos", diz Richard Edelman, presidente e diretor executivo da Edelman.

"Nossa pesquisa confirma que vai ser mais difícil reconstruir nossas economias porque nenhuma instituição capturou a confiança que as empresas perderam", acrescenta Edelman.

Na Europa Ocidental, também houve queda de confiança, com dois terços dos entrevistados declarando confiar menos nas empresas hoje do que há um ano.

Emergentes

Em países emergentes, no entanto, a tendência foi de aumento da confiança: na China, a confiança nas empresas aumentou de 54%, no ano passado, para 71% neste ano, e a confiança nos bancos cresceu de 72% para 84%.

"As pessoas nos países emergentes atribuem melhorias na qualidade de vida a empresas", afirmou Edelman.

A pesquisa avalia a confiança geral do público em quatro instituições: empresas, governo, mídia e ONGs.

A Edelman afirma que também houve queda da confiança global na mídia, nos executivos de grandes empresas e em representantes de governos.

Especialistas independentes e acadêmicos são vistos por 59% dos entrevistados como a fonte de informação mais confiável sobre uma empresa.