Irã pratica subversão na América Latina, dizem EUA

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates
Image caption Gates disse não se preocupar com a Rússia, mas com o Irã

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, afirmou nesta terça-feira que o Irã está promovendo "atividades subversivas" na América Latina.

Os comentários foram feitos durante o depoimento de Gates no Senado americano - a primeira aparição do titular da Defesa desde que ele manteve o posto na transição entre a gestão do ex-presidente George W. Bush e o atual líder americano, Barack Obama.

O secretário de Defesa afirmou estar "preocupado com o grau de atividades francamente subversivas que os iranianos estão realizando em diferentes partes da América Latina e, em particular, na América do Sul e América Central".

"Eles (os iranianos) estão abrindo uma série de escritórios e diversas frentes através das quais eles interferem no que está se passando nestes países".

O secretário de Defesa não deu maiores detalhes sobre sua acusação contra o Irã.

Contatos

Em 2007, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, fez um giro pela Venezuela, Equador e Nicarágua.

Durante a viagem, o líder do Irã firmou uma série de acordos com seu colega venezuelano, Hugo Chávez.

O Irã, quarto maior produtor mundial de petróleo, e a Venezuela, o quinto, estão realizando explorações petrolíferas conjuntas na região venezuelana de Orinoco.

O país sul-americano pretende também comprar petroleiros iranianos e firmou tratados para operações conjuntas na construção de moradias de baixo custo e de tratores e bicicletas.

O Irã também abriu há poucos anos representações diplomáticas em países como a Bolívia e a Nicarágua, cujos governos são de esquerda e faziam oposição à política americana durante a gestão de George W. Bush.

Recentemente, inclusive, representantes do governo americano acusaram a representação diplomática do Irã na Nicarágua de contar com centenas de funcionários, o que, na visão dos Estados Unidos, caracterizaria a realização de operações que iriam além das de uma embaixada tradicional.

A informação foi negada pelo Irã, que disse operar com um número normal de funcionários em sua embaixada no país.

Sem preocupações

Gates fez menções ao suposto papel do Irã na América Latina quando respondia a uma pergunta sobre os recentes exercícios navais conjuntos realizados pela Marinha da Rússia e a da Venezuela, no país sul-americano.

Mas o titular da Defesa disse não se preocupar com a manobra militar russa.

''Se não fosse pelos eventos na Geórgia, em agosto, eu provavelmente teria persuadido o presidente a convidar as naves russas a realizarem uma passagem por Miami, porque eles teriam se divertido mais do que em Caracas'', ironizou Gates.

''Com o barril de petróleo a US$ 40, a Marinha russa não me incomoda tanto assim. É preciso levar em conta a capacidade deles'', afirmou.

De acordo com Gates, ''estas ações por parte dos russos não precisam nos preocupar. Mas, por outro lado, o envolvimento iraniano é uma preocupação''.