Economia americana tem maior declínio desde 1982

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Image caption Contração no último trimestre de 2008 foi de 3,8% anualizados

economia americana sofreu uma retração de 3,8%, em termos anualizados, no último trimestre de 2008.

A cifra representa a queda mais forte sofrida pela economia americana desde 1982.

A cifra supera a do terceiro trimestre do ano passado, que foi de 0,5% anualizados.

Mas analistas previam que o declínio poderia ter sido ainda maior e trabalhavam com uma estimativa na faixa de 5,5%.

Ainda assim, especialistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam ser equivocado interpretar o índice superior ao esperado como uma notícia positiva.

''É uma cifra muito ruim. As pessoas falavam em mais de 5% não como uma projeção precisa, mas como uma previsão de que a economia estaria mal. Por isso, eu não tomaria 3,8% em vez de 5,5% como sendo um bom sinal'', afirma Michael Ettlinger, vice-presidente de política econômica do instituto de pesquisas Center for Economic Progress.

Na opinião do analista, o índice representa que ''iremos ver um primeiro trimestre de 2009 tão ruim quanto o que já se antecipou''.

"Deveremos ter vários trimestres com maus resultados até começarmos a ver bons trimestres'', diz Ettlinger.

Para o economista Josh Biven, do Economic Policy Institute, de Washington, ''a manchete (com a cifra de 3,8%) mascara o quanto a economia no trimestre passado foi fraca. O crescimento econômico esteve, de um modo geral, estagnado''.

Pacote

A notícia chega no momento em que o presidente Barack Obama pressiona pela aprovação o quanto antes de um pacote econômico de US$ 819 bilhões.

O plano econômico foi aprovado nesta semana pela Câmara dos Representantes americana, mas nenhum integrante da oposição republicana votou a favor da proposta.

O pacote se encontra atualmente em tramitação no Senado, mas a maioria democrata de Obama poderá encontrar ainda mais dificuldades, porque o partido conta com uma maioria na casa menor do que a que tem na Câmara.

O plano pretende criar entre 3 milhões e 4 milhões de empregos e propõe investimentos em áreas diversas, que vão desde construções de escolas e restauração de estradas até benefícios para desempregados.

Os republicanos relutam em aprovar o pacote porque dizem que o projeto oferece poucas garantias de geração de empregos e de cortes de impostos para contribuintes e empresas.