Declínio econômico representa 'desastre' para EUA, diz Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama
Image caption Obama diz que queda do PIB indica agravamento de recessão no país

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta sexta-feira que os dados relativos ao declínio econômico sofrido pelo país no quarto trimestre do ano passado sinalizam que a economia americana enfrenta um "desastre contínuo".

Segundo dados divulgados nesta sexta-feira, o PIB americano sofreu retração de 3,8%, em termos anualizados, no último trimestre de 2008 - a mais forte queda em 26 anos.

"Este não é apenas um conceito econômico, é um desastre contínuo para famílias trabalhadoras dos Estados Unidos", afirmou Obama, em uma cerimônia em Washington em que assinou medidas que revertem decisões tomadas por seu antecessor, George W. Bush, em relação a sindicatos.

"O que realmente importa é o que isso significa para famílias americanas", acrescentou. "Famílias estão comprando menos, empresas estão fazendo menos investimentos, e empregadores mantendo menos postos de trabalho."

De acordo com o presidente, a queda do PIB indica que a recessão americana está se agravando.

Pacote

O presidente acrescentou que os dados do PIB reforçam ainda a necessidade de aprovação do plano econômico de US$ 819 bilhões defendido pelo governo.

O pacote foi aprovado nesta semana pela Câmara dos Representantes e se encontra atualmente em tramitação no Senado.

O plano pretende criar entre 3 milhões e 4 milhões de empregos e propõe investimentos em áreas diversas, que vão desde construções de escolas e restauração de estradas até benefícios para desempregados.

A oposição republicana vêm demonstrando reservas em relação ao pacote porque diz que a iniciativa oferece poucas garantias de geração de empregos e de cortes de impostos para contribuintes e empresas.

Durante a cerimônia desta sexta-feira, Obama também criou o que chamou de Força Tarefa para a Classe Média, que será comandada pelo vice-presidente americano, Joe Biden, e terá a missão de atender às necessidades atuais dessa camada da população.

Avaliação

Analistas previam que a retração do PIB no último trimestre de 2008 poderia ter sido ainda maior e trabalhavam com uma estimativa de queda na faixa de 5,5%.

Ainda assim, especialistas ouvidos pela BBC Brasil avaliam que é um equívoco interpretar a contração menor do que a esperada como uma notícia positiva.

"É uma cifra muito ruim", diz Michael Ettlinger, vice-presidente de política econômica do instituto de pesquisas Center for Economic Progress. "As pessoas falavam em mais de 5% não como uma projeção precisa, mas como uma previsão de que a economia estaria mal."

"Por isso, eu não tomaria 3,8%, em vez de 5,5%, como um bom sinal", acrescenta Ettlinger.

Na opinião do analista, o índice indica que a economia americana deve ter "um primeiro trimestre de 2009 tão ruim quanto o que já se antecipou".

"Deveremos ter vários trimestres com maus resultados até começarmos a ver bons trimestres", afirma.

Para o economista Josh Biven, do Economic Policy Institute, de Washington, "a manchete (com a cifra de 3,8%) mascara o quanto a economia no trimestre passado foi fraca".

"O crescimento econômico esteve, de modo geral, estagnado", conclui Biven.

Emprego

Na opinião de Barry Bosworth, analista econômico da Brookings Institution, a cifra do quarto trimestre ''indica que 2009 terá um começo bem ruim''.

De acordo com o especialista, o índice relativo ao final de 2008 foi melhor do que o esperado porque ''as empresas não reduziram a produção rápido o bastante quando suas vendas caíram e acabaram acumulando excesso de estoques.''

Para o próximo trimestre, no entanto, Bosworth prevê uma redução de produção, ''o que deverá continuar a reduzir dramaticamente o nível de emprego nos próximos meses''.

No momento, a economia americana está perdendo postos de trabalho a um nível de quase 500 mil por mês.

Diante desse quadro, o analista vê a perspectiva de que o crescimento dos primeiros três meses de 2009 seja ainda pior que o registrado no final do ano passado.