Oposição no Zimbábue aceita formar governo de coalizão

O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai (AFP)
Image caption Tsvangirai deve ser empossado premiê em favereiro

O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, afirmou nesta sexta-feira que seu partido irá se juntar ao grupo do presidente Robert Mugabe para a criação de um governo de coalizão no próximo mês.

Pelo acordo, que foi proposto pelos líderes da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês), Tsvangirai deve ser empossado como primeiro-ministro do país no dia 11 de fevereiro.

O partido de Tsvangirai, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), e o Zanu-PF, de Mugabe, haviam assinado um acordo para a formação de um governo de coalizão em setembro do ano passado, mas ele foi adiado por diversas disputas entre os grupos.

"Esperamos que o MDC seja respeitado como um parceiro em condição de igualdade com o Zanu-PF. Esperamos poder resolver os problemas do país e ter esperanças para o futuro", disse Tsvangirai, que ainda afirmou que o Zanu fez "concessões significativas".

Espera-se que o acordo possa colocar um fim à crise política no país, que se arrasta por mais de 10 meses.

Além da crise pela divisão do poder, o Zimbábue tem enfrentado altos níveis de inflação e uma grave crise alimentar.

O país também sofre com uma epidemia de cólera que, segundo a Organização Mundial de Saúde, já infectou mais de 60 mil pessoas e matou mais de 3 mil.

Ceticismo

Os apoiadores do presidente Robert Mugabe, que governa o país há quase três décadas, também comemoraram a decisão.

"Estamos obviamente felizes como zimbabuanos. Agora poderemos nos focar na reconstrução do país e parar que pensar em política o tempo todo", disse à BBC o ministro da Informação do país, Paul Mangwana.

"Esta é uma oportunidade gloriosa para trabalharmos juntos e mostrarmos para o mundo que somos capazes de resolver nossos próprios problemas", completou.

Apesar das comemorações no Zimbábue, a comunidade internacional se mostrou cética a respeito do acordo.

"A comunidade internacional vai esperar que o governo demonstre, por meio de suas ações, um comprometimento claro em reformar o país", disse o ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse esperar que o novo governo de coalizão seja capaz de restabelecer a normalidade democrática no Zimbábue.

"Se forem feitas eleições justas e houver a estabilização de um governo de unidade genuíno, então a comunidade internacional irá fornecer a cooperação econômica e a assistência humanitária necessárias para o país", disse Ban.

O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Robert Wood, afirmou que seu país está "um tanto cético" a respeito do acordo.

"O que é importante aqui são ações, e não palavras. Queremos ver uma real e séria divisão de poder no regime de Mugabe", disse.

Confiança

O correspondente da BBC no sul da África, Peter Biles, afirma que o acordo requer uma grande dose de fé por parte do MDC, já que o partido de oposição não tem confiança no presidente Mugabe.

Mas, segundo ele, a decisão era a única opção realista do MDC antes de abandonar os planos de um governo de unidade. As principais desavenças entre o partido e Mugabe são a respeito da divisão dos cargos mais importantes do governo e sobre os supostos ataques e prisões que governistas estariam empreendendo contra membros da oposição.

Analistas afirmam que, aparentemente, o MDC está seguindo os conselhos da SADC, que orientou o partido a primeiro entrar no governo e depois resolver os problemas pendentes.