Quatro reféns das Farc são libertados na Colômbia

Image caption Helicóptero brasileiro foi usado na operação na Colômbia

Quatro homens que eram mantidos reféns pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) desde 2007 foram libertados pela organização neste domingo na selva colombiana.

Trata-se da primeira libertação de reféns do grupo rebelde em quase um ano.

Os policiais Juan Fernando Galicia, José Walter Lozano Guarnizo e Carlos José Duarte Rojas e o soldado William Giovanni Domínguez estão agora em poder da missão humanitária que realizou o resgate.

Segundo meios locais, eles estariam sendo levados para a cidade colombiana de Villavicencio e, daí, para a capital do país, Bogotá.

O resgate desse domingo faz parte de uma operação de três fases para libertar um total de seis reféns das Farc.

Está prevista para a segunda-feira a libertação de Alan Jara, ex-governador do departamento (Estado) de Meta, de 51 anos, sequestrado em 15 de julho de 2001. Na quarta-feira deve ser a vez de Sigifredo López, de 45 anos, o único sobrevivente de um grupo de 12 deputados sequestrados em 2002.

"Violação de acordo"

O Brasil participa na logística da operação cedendo três helicópteros Cougar que estão sendo utilizados nos resgates, além de dezoito militares brasileiros e dois mecânicos de voo.

A missão humanitária partiu às 8h15 (11h15 de Brasília) deste domingo da cidade de Florença, no sul da Colômbia, em um dos helicópteros brasileiros.

A aeronave levava a bordo a senadora colombiana Piedad Córdoba - que já havia auxiliado na libertação de outros reféns das Farc -, três delegados da Cruz Vermelha Internacional e três testemunhas, entre elas dois jornalistas.

Ainda não se sabe em quanto tempo os reféns chegarão a Villavicencio. Um acordo fechado com as Farc determina que a Cruz Vermelha deve ficar um tempo com os reféns no local da entrega deles para dar tempo aos guerrilheiros de fugir.

O jornalista colombiano Jorge Enrique Botero, um dos membros da comissão de resgate dos reféns, afirmou em entrevista ao canal de TV Telesur que o Exército colombiano violou o acordo de cessar-fogo de 36h que havia sido anunciado pelo governo para facilitar a entrega dos sequestrados.

Botero afirmou que aeronaves do Exército sobrevoaram o local do resgate no momento em que a missão humanitária se encontrou com o grupo de guerrilheiros que entregaria os reféns.

"Isso gerou preocupação e alarme, tanto em nós como nos guerrilheiros. A operação esteve à beira da morte e de regressar com as mãos vazias", afirmou Botero.

De acordo com o jornalista, a missão humanitária teve que se deslocar a outro ponto da selva colombiana, onde os quatro oficiais teriam sido finalmente libertados, por volta das 15h.

Também em entrevista à Telesur, um guerrilheiro afirmou que houve enfrentamento com o Exército e que um rebeldes havia sido morto e outro estaria "desaparecido".

O alto comissionado para a Paz na Colômbia, Luiz Carlos Restrepo, por sua vez, negou essa versão ao afirmar que as operações militares na região foram suspensas. "Já estamos acostumados com as mentiras das Farc", afirmou Restrepo a jornalistas em Villavicencio.

Enfraquecimento

Esta foi a terceira libertação unilateral de reféns das Farc desde janeiro de 2008.

No ano passado, foram anunciadas as mortes de morte de importantes líderes da Cúpula das Farc - Raúl Reyes, Ivan Ríos e o fundador do grupo rebelde, Manuel Marulanda.

Também ao longo de 2008, vários guerrilheiros desertaram as Farc, convocando seus companheiros a abandonarem a luta armada, indicando que a organização estaria perdendo força.

O movimento Colombianos pela Paz foi encarregado de estabelecer um diálogo com a guerrilha por meio de cartas, por meio das quais se chegou ao acordo para a libertação dos seis reféns desta semana.

Ivan Cepeda, representante do movimento, avalia que a mudança na cúpula da guerrilha, o enfraquecimento militar do grupo, as alterações no contexto internacional regional e a participação da sociedade civil colombiana teriam levado às Farc a libertar o novo grupo de reféns.

"Isso significa uma mudança de rumo no conflito armado colombiano. Hoje, há um ato de paz que indica um avanço para a solução do conflito", afirmou à BBC Brasil.

Para o ativista, "essas libertações abrem o caminho para que se estabeleça um intercâmbio humanitário" e marcam "uma nova etapa" do conflito colombiano.

"As libertações são o caminho mais curto para ir acabando com o conflito e o governo deveria rever sua estratégia da via armada e pensar em estabelecer um canal de diálogo."