Queda sem precedentes em transporte de carga revela crise global

Aviões de carga. Foto: MAXIM MARMUR/AFP/Getty Images
Image caption O declínio da aviação de carga é um dos indicadores do impacto da crise

Novos indicadores divulgados nesta quinta-feira ao redor do mundo mostram o impacto da crise na economia global. Em Genebra, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) anunciou que o volume de transporte de carga em dezembro caiu 22,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior, uma queda descrita como "sem precedentes" pela organização.

A Iata comparou o recuo com o observado em setembro de 2001, mês em que ocorreram os atentados contra Nova York e Washington e quando boa parte da frota global permaneceu em terra por razões de segurança. Naquele mês, a queda havia sido de 13,9%.

"Não há melhor medida da desaceleração do comércio global", disse Giovanni Bisignani, diretor-geral da IATA.

Nos Estados Unidos, a Ford Motor Co. anunciou um prejuízo de US$ 5,9 bilhões de dólares no último trimestre de 2008 e de US$ 14,6 bilhões ao longo do ano. É o prejuízo da história da empresa, a segunda maior do setor nos Estados Unidos. A Ford, no entanto, destacou por meio de um comunicado que, ao contrário das rivais General Motors e Chrysler, não precisará de ajuda financeira governamental.

Na Alemanha, a maior economia da Europa, a taxa de desemprego subiu para 8,3% janeiro, contra 7,4% em dezembro. Segundo a agência do governo que acompanha as estatísticas do mercado de trabalho, o número de desempregados chegou a 3,48 milhões em janeiro, 170 mil pessoas a mais do que em janeiro de 2008.

Grandes empresas japonesas também sofrem o impacto da crise. A Sony, gigante do setor de eletrônicos, registrou uma queda de 95% nos lucros no último trimestre de 2008.

A Toshiba disse que espera perdas de mais de US$ 3 bilhões no ano fiscal corrente, que vai até março. A empresa está demitindo 4,5 mil empregados. A economia japonesa está mergulhando em uma recessão por causa da demanda fraca do mercado interno e a cotação alta do iene. As exportações tiveram uma redução recorde de um terço no ano passado.

O mercado imobiliário na Inglaterra e no País de Gales também continuam sendo afetados pela crise de crédito. Estatísticas do governo mostram que o valor médio dos imóveis caiu 13.5% in 2008. Em dezembro, a queda em relação a novembro foi de 2%. Com isso, o preço pago, em média, por imóveis ficou em 158,8 mil libras (o equivalente a cerca de US$ 226,3 mil).

Segundo previsões divulgadas na quarta-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia global ficará praticamente estagnada em 2009 com expansão de 0,5%.