Obama adverte que mais bancos dos EUA devem falir

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama ,  em 2 de fevereiro (AP)
Image caption Obama condicionou sucesso de sua gestão à virada econômica

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, advertiu que mais bancos deverão falir assim que ficar claro a dimensão exata das perdas dessas instituições, devido à crise econômica que assola o país.

Em entrevista à rede de TV americana NBC, que será exibida nesta segunda-feira, Obama afirmou que ''alguns bancos não irão sobreviver'', mas enfatizou que os depósitos de clientes não enfrentam riscos.

''Os bancos, devido a descaso administrativo, devido à excessiva tomada de riscos, estão agora em uma situação muito vulnerável'', afirmou.

Ele acrescentou que provavelmente será necessário que o governo faça mais para sanar a situação das instituições financeiras do país.

Mas o líder americano não entrou em detalhes sobre quando e quanto pretende oferecer em gastos adicionais para os bancos.

Condições

Membros do governo, do Federal Reserve (como é conhecido o Banco Central Americano) e alguns dos principais presidentes de bancos americanos estão elaborando propostas sobre formas como o governo poderá gastar os US$ 350 bilhões que ainda permanecem do programa de resgate financeiro de bancos de US$ 750 bilhões firmado ainda na gestão de George W. Bush.

Na entrevista à NBC, o presidente também disse ter recomendado ao secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, que estabeleça diretrizes sobre maneiras como os bancos devem utilizar as quantias que receberam do governo e resultantes de impostos pagos pelo contribuinte americano.

''Se um banco ou instituição financeira está recebendo ajuda, eles precisam acatar certas condições'', afirmou.

Na semana passada, o líder americano criticou altos executivos de bancos que receberam bônus, apesar de suas instituições estarem recebendo ajuda do governo.

Responsabilidade

Na entrevista, Obama também disse que assume plena responsabilidade em tentar virar a situação econômica americana, através, em boa parte, da aprovação do pacote econômico de quase US$ 900 bilhões defendido por ele.

''Se eu não conseguir fazer isso em três anos, então esta será uma proposta de um só mandato.''

O Senado está discutindo o pacote econômico defendido por Obama, que difere um pouco da proposta originalmente submetida e aprovada na Câmara dos Representantes.

Apesar de ter sido aprovado na Câmara, nenhum representante do Partido Republicano votou a favor da proposta.

Os republicanos julgaram que o pacote não contava com suficientes medidas propondo cortes de impostos e incluía gastos excessivos em áreas que não iriam estimular a economia.

A proposta submetida ao Senado oferece US$ 342 bilhões em cortes de impostos provisórios e US$ 545 bilhões em investimentos, o que totaliza cerca de US$ 887 bilhões.

O presidente estima que o pacote deverá criar entre três e quatro milhões de empregos. Entre as áreas que deverão ser contempladas pelo projeto estão obras de infra-estrutura, como a construção e reforma de pontes e estradas, incrementos às escolas do país e investimentos nas áreas de energia e saúde.

Se a proposta for aprovada no Senado, senadores e deputados da Câmara dos Representantes deverão elaborar uma versão final do pacote econômico que será submetida ao presidente americano, a fim de ser assinada por ele.

Obama espera ratificar como lei o plano econômico até meados de fevereiro.