Obama diz querer evitar 'mensagem protecionista'

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (AP)

Obama disse querer evitar uma 'guerra comercial'

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta terça-feira que quer evitar qualquer medida para estimular a economia que possa sinalizar protecionismo por parte dos EUA ou que cause uma "guerra comercial".

Obama deu as declarações após ser questionado sobre a polêmica cláusula do plano de recuperação econômica enviado ao Congresso conhecida como "Buy American" (compre produtos americanos, em tradução livre).

Pela cláusula em questão, apenas ferro, aço e manufaturados produzidos nos Estados Unidos poderiam ser usados em projetos de construção contemplados pelo pacote de estímulo, que deve ser votado pelo Senado ainda esta semana.

"Eu concordo que não podemos mandar uma mensagem de protecionismo. Precisamos trabalhar a linguagem que usaremos neste assunto. Seria um erro começar a mandar uma mensagem de que, de alguma forma, nós estamos pensando apenas em nós mesmos, sem nos preocuparmos com o comércio global", disse o presidente dos Estados Unidos em uma entrevista transmitida nesta terça-feira pela rede de TV Fox News.

Em outra entrevista, Obama afirmou que medidas do tipo poderiam causar uma "guerra comercial" com outros países.

"Eu acho que isto seria um erro. Esta pode ser a fonte de uma guerra comercial que não podemos permitir em um momento em que o comércio está afundando em todas as partes do mundo", disse Obama em entrevista à rede de TV americana ABC.

"Eu acho que temos que nos assegurar que nenhuma medida (do pacote) vá causar uma guerra comercial", disse Obama que, no entanto, não deu detalhes sobre possíveis mudanças no plano.

Reclamações

As declarações de Obama foram dadas um dia depois que os embaixadores da União Europeia e do Canadá em Washington fizeram críticas públicas à cláusula "Buy American".

Na última segunda-feira, o embaixador da União Europeia em Washington, John Bruton, criticou a medida e afirmou que ela mandaria um mau sinal para o mundo.

"Se a primeira legislação importante que Obama assinar como presidente for em parte protecionista, isto não mandará uma boa mensagem", disse Bruton ao jornal Financial Times.

Um porta-voz da Comissão Europeia, órgão executivo da UE, afirmou que o bloco apresentará uma reclamação à Organização Mundial de Comércio se a cláusula for aprovada.

Já o embaixador do Canadá em Washington, Michael Wilson, enviou uma carta aos líderes do Senado americano onde afirmava que, se a cláusula estiver no pacote aprovado, abrirá um precedente negativo com repercussões globais.

"Os Estados Unidos perderão a sua autoridade moral de pressionar os outros (países) a não adotarem medidas protecionistas", diz Wilson na carta, segundo a rede de TV canadense CBC.

A medida já havia sido criticada pelo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e também recebe oposição de membros do Partido Republicano nos EUA.

Por causa das críticas, a Casa Branca afirmou que está revisando esta parte do pacote, embora o vice-presidente, Joe Biden, tenha afirmado na semana passada que considera legítimo que parte da cláusula "Buy American" esteja no plano.

O pacote de recuperação econômica de mais de US$ 800 bilhões foi aprovado na semana passada pela Câmara dos Representantes e agora será analisado pelo Senado, onde sua aprovação é quase impossível sem o apoio dos republicanos.

Segundo o líder dos democratas no Senado, Harry Reid, o pacote deve ir a votação na Casa ainda nesta semana.

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