ONU acusa Hamas de confiscar ajuda em Gaza

AFP

Pelo menos metade dos palestinos em Gaza depende de ajuda

Funcionários da ONU em Gaza acusaram nesta quarta-feira a polícia do Hamas, grupo que controla a região, de ter confiscado cobertores e alimentos que deveriam ser distribuídos à população civil do território palestino.

O porta-voz da ONU Christopher Guinness disse que o confisco ocorreu na terça-feira quando 3,5 mil cobertores e 400 pacotes de alimentos foram levados de um armazém da instituição. Ele disse também que esta foi a primeira vez que ajuda humanitária havia sido confiscada pelo Hamas.

Guinness disse que a ajuda beneficiaria 500 famílias palestinas e exigiu a devolução imediata dos bens apreendidos.

O ministro do Hamas para Assuntos Sociais em Gaza, Ahmed al-Kurd, negou o confisco, mas admitiu que existe uma divergência entre o grupo e a ONU sobre como a ajuda deve ser distribuída. Ele acusou a ONU de fornecer mais ajuda a grupos em Gaza que se opõem ao Hamas.

Reconstrução

Calcula-se que pelo menos metade da população de 1,5 milhão de pessoas em Gaza dependa da ajuda alimentícia fornecida pela ONU, desde que Israel impôs o bloqueio do território, há 19 meses.

A distribuição dos alimentos se tornou mais complicada após o início da ofensiva israelense no território em dezembro. A ONU afirmou que aumentou seus esforços para ser capaz de prestar ajuda a cerca de 900 mil pessoas em Gaza.

Também nesta quarta-feira, a Autoridade Palestina (AP) anunciou um plano de US$ 600 milhões para a reconstrução das casas destruídas em Gaza pela ofensiva israelense de 22 dias, suspensa em 17 de janeiro.

"A maioria deste dinheiro virá de doadores", afirmou o primeiro-ministro da AP, Salam Fayyad, em Ramallah, na Cisjordânia. Ele disse ainda que a AP contribuirá com US$ 50 milhões.

As estimativas iniciais palestinas haviam calculado o custo da reconstrução em cerca de US$ 2 bilhões e que os esforços levariam até cinco anos.

Crimes de guerra

Falando ao parlamento europeu, em Estrasburgo, ainda nesta quarta-feira, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que vai pressionar para que os ataques israelenses em Gaza sejam investigados como possíveis crimes de guerra.

"Pessoas que cometem esses crimes devem ser responsabilizadas para que eles não se repitam", disse ele.

"Continuamos oferecendo nossa mão para a paz com Israel, mas o que foi feito, infelizmente, foram crimes de guerra."

Ele condenou os foguetes lançados pelo Hamas a Israel, mas disse que "as portas ainda estão abertas" para a formação de um governo de unidade nacional com o grupo.



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