Italiana em coma há 17 anos morre na Itália

Eluana Englaro
Image caption Eluana Englaro, de 38 anos, estava em coma vegetativo desde 1992

A italiana Eluana Englaro, que estava no centro de uma polêmica no país sobre a eutanásia, morreu nesta segunda-feira na clínica Le Quiete, na cidade de Udine.

A morte da mulher de 38 anos, em coma desde 1992, pegou os italianos de surpresa. A alimentação e a hidratação tinham sido suspensas no sábado passado, mas acreditava-se que o processo deveria tornar-se irreversível apenas depois de uma semana.

A Procuradoria Geral da Republica, em Udine, deve decidir na terça-feira se irá ou não submeter o corpo de Eluana Englaro a uma autopsia, precisando assim a causa de sua morte.

Existe na Itália a desconfiança de que ela possa ter sido medicada enquanto estava na clínica, o que explicaria sua morte ter ocorrido mais rapidamente do que o esperado.

Policiais recolheram os registros médicos de Eluana.

Reações

Seu pai, Beppino Englaro, estava em casa, na cidade de Lecco. Ele, que lutava pelo direito de morrer da filha, soube da noticia pelo chefe da equipe médica, Amato di Monte, e comentou: "Sim, ela nos deixou. Não quero falar nada. Quero ficar sozinho". Um dos advogados da família, Vittorio Angiolini, afirmou que "este é um momento trágico".

Os sinos de uma igreja ao lado da clínica geriátrica soaram em homenagem a Eluana Englaro. O Vaticano, uma das instituições que mais pressionaram contra a eutanásia, emitiu uma nota na qual espera que "o senhor perdoe quem a levou até este ponto".

Ela morreu enquanto o Senado discutia no plenário uma lei para salva-la. O projeto de lei proibia a interrupção da alimentação e da hidratação em pacientes que não pudessem se expressar, como era o caso de Eluana.

O ministro da Previdência, Maurizio Sacconi, ao saber da morte de Eluana, apresentou os pêsames à família e pediu que o sacrifício dela não tenha sido em vão.

O primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, afirmou através de uma nota estar "amargurado porque não foi possível para o governo evitar a morte. Sinto uma dor profunda".

Na sexta-feira passada ele tinha autorizado um decreto-lei que foi vetado pelo presidente, Giorgio Napolitano, alegando que este era inconstitucional. O caso pôs em lados opostos o premiê e o presidente do país.

O texto autorizado por Berlusconi era o mesmo do projeto de lei que deveria ser votado, provavelmente, pelo Parlamento no máximo até quarta feira.

A casa já tinha recebido uma emenda que previa o retorno à terapia vital ao paciente que já tivesse iniciado o protocolo de morte, como no caso Englaro.

Tanto a Câmara dos Deputados, que deveria discutir o projeto de lei nesta terça-feira, quanto o Senado fizeram um minuto de silêncio.

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