Anistia acusa Hamas de perseguir 'colaboradores' de Israel em Gaza

Militantes do Hamas
Image caption Campanha teria começado durante ofensiva israelense

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional acusou nesta terça-feira militantes do Hamas de perseguir, sequestrar, torturar e assassinar suspeitos de colaborar com Israel nos recentes confrontos em Gaza.

Segundo relatório divulgado pela Anistia, a campanha do Hamas começou ainda em dezembro passado e pelo menos 12 homens teriam sido mortos a tiros.

A organização acrescenta que dezenas de pessoas teriam sofrido ferimentos a bala nas pernas e joelhos ou sido espancadas com o objetivo deliberado de deixar sequelas.

Além dos supostos colaboradores, críticos e opositores à liderança do Hamas também estão sendo perseguidos e, muitas vezes, ameaçados de morte - de acordo com o relatório.

A Anistia pede o fim imediato da campanha do Hamas contra opositores, além do estabelecimento de uma comissão nacional de especialistas, independente, imparcial e não partidária, para investigar os abusos.

Missão

A organização enviou uma missão de delegados à Faixa de Gaza para investigar as denúncias e afirma ter evidências incontestáveis de que militantes do Hamas teriam perpetrado uma campanha de perseguição.

Entre os alvos do Hamas estariam prisioneiros que escaparam da penitenciária central de Gaza quando ela foi bombardeada por forças israelenses no dia 28 de dezembro.

Ex-integrantes das forças de segurança da Autoridade Palestina e outros ativistas do movimento Fatah, do presidente Mahmmoud Abbas, também estariam sendo perseguidos.

A maioria das vítimas, diz a Anistia, foi sequestrada em casa e depois deixada - mortas ou feridas - em áreas isoladas ou encontrada morta nos necrotérios de hospitais da região.

Algumas chegaram a ser mortas a tiros em seus leitos hospitalares, onde se recuperavam de ferimentos causados pelo bombardeio israelense, afirma a organização.

Confiança

Ainda segundo a Anistia, os responsáveis pela campanha não se preocuparam em esconder o rosto ou as armas - muito pelo contrário, adotaram uma postura confiante, de modo quase ostensivo.

Como o Hamas já anunciou no passado ter acabado com o uso de armas por militantes de outras facções ou organizações na Faixa de Gaza, a Anistia afirma que os militantes responsáveis pela campanha só podem pertencer ao grupo.

A organização manifestou preocupação ao dizer que o governo do Hamas na Faixa de Gaza não só não teria tentado impedir os assassinatos e outros abusos perpetrados por suas milícias como também teria justificado essas ações e chegado a facilitá-las e encorajá-las.

No dia 2 de fevereiro, segundo a Anistia, o porta-voz do Ministério do Interior do governo do Hamas na Faixa de Gaza, Ihab al-Gussein, rejeitou as denúncias de abusos feitas nos dias anteriores por grupos de defesa dos direitos humanos palestinos e teria recomendado às vítimas que fossem procurá-lo diretamente.

Na mesma coletiva de imprensa, o porta-voz do Hamas Tahar al-Nunu teria dito que "o governo diferencia abusos (da lei) de ações tomadas pela resistência para se proteger de colaboradores em tempos de guerra". "Não vai haver clemência para os colaboradores que nos esfaquearam pelas costas", acrescentou Al-Nunu.

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