Caso de agressão na Suíça é ‘grave’ e ‘chocante’, diz Amorim

Paula Oliveira
Image caption Paula estava grávida e disse que teve aborto após o ataque

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o suposto ataque de neonazistas contra a advogada brasileira Paula Oliveira na cidade suíça de Zurique foi "grave" e "chocante", mas que é preciso aguardar o trabalho da polícia.

"Temos confiança de que a polícia suíça manterá a transparência e o rigor na investigação", disse o chanceler, em seus primeiros comentários em público sobre o caso.

Segundo Amorim, o caso tem "aparência xenofóbica" e, se isso for confirmado, ele "se torna ainda mais sério". Entretanto, mesmo que não tenha tido essa motivação, a agressão "por si só já é grave", afirmou.

O ministro não quis comentar quais medidas o governo brasileiro pretende tomar caso sejam confirmadas as suspeitas de motivação xenofóbica.

"Não vou falar sobre aspectos hipotéticos", disse.

Preocupação

Na manhã desta quinta-feira Amorim telefonou para a cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitória Cleaver, que estava no hospital acompanhando pessoalmente o caso de Paula. "Transmiti a ela a preocupação do governo brasileiro", disse o ministro. Ainda pela manhã, Amorim convidou o embaixador da Suíça para uma conversa, no Itamaraty. O embaixador, no entanto, não estava na cidade e enviou o encarregado de negócios da embaixada, Claude Crottaz. De acordo com a assessoria de imprensa do Itamaraty, durante a conversa o ministro Amorim reafirmou a preocupação do governo brasileiro, não apenas em relação à apuração dos fatos, mas também em relação à punição pelo crime.

Polícia

A polícia de Zurique afirmou nesta quinta-feira em um comunicado que Paula, que estava grávida de dois bebês, disse a investigadores que sofreu um aborto logo depois do ataque, na segunda-feira.

"A mulher diz que foi atacada por três homens, que a atacaram com chutes e a feriram com um estilete", diz a nota. "Além disso, ela disse que estava grávida e que, após o ocorrido, teve um aborto dentro do banheiro próximo da estação."

"A mulher foi levada para o hospital para realizar mais exames e foi realizada uma ampla busca no local do crime", acrescenta o comunicado. "Não é possível dar mais informações sobre os exames médicos."

A polícia também confirmou que Paula foi encontrada com "ferimentos superficiais de objetos cortantes" na pele e que, neles, "podiam ser reconhecidas em diversas partes do corpo letras isoladas".

Fotos da brasileira divulgadas pela imprensa no Brasil mostram que, nas pernas de Paula, é possível ler a sigla "SVP" escrita com cortes. A sigla é a mesma de um partido político suíço de extrema-direita.

O comunicado diz que a "circunstância que levou a esses ferimentos não está clara" e que a polícia "investiga e procura testemunhas".

Telefonema

A polícia afirma no comunicado que recebeu uma ligação às 19h30 de segunda-feira de um homem que pedia ajuda para a brasileira, que estava na estação de trem Stettbach.

"As circunstâncias exatas do incidentes não estão claras. A polícia investiga em todas as direções. Pedimos a pessoas que estavam no local pouco depois das 19h30 e que tenham observado algo suspeito que entrem em contato com a polícia."

O Ministério das Relações Exteriores confirmou na noite da quarta-feira que recebeu um relato de Paula sobre o episódio em Zurique.

No momento da agressão, segundo o Itamaraty, ela estaria falando ao telefone celular em português com a mãe, o que reforçaria a hipótese de que o crime teria sido cometido por um grupo xenófobo.

*Colaborou Marcio Damasceno, de Berlim para a BBC Brasil

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