Fortalecimento de partido ultradireitista causa temor em Israel

Image caption Lieberman está sendo cortejado pelo Kadima e Likud

O fortalecimento do partido de extrema-direita Israel Beiteinu provocou em alguns setores da sociedade israelense o temor de que a política do país se radicalize. O partido tornou-se o terceiro maior de Israel nas eleições realizadas na última terça-feira, e adquiriu poder suficiente para determinar a formação da nova coalizão governamental.

Políticos e intelectuais ouvidos pela BBC Brasil chegaram a usar a palavra "fascista" para descrever o líder do partido, Avigdor Lieberman. Durante a campanha, Lieberman declarou que proporia expulsar do Parlamento deputados árabes que fossem "infiéis". Ele disse ainda que pretendia cancelar a cidadania de israelenses que não fossem "fiéis ao Estado, inclusive ao hino, à bandeira e à sua identidade judaica e sionista". A mudança da lei da cidadania seria uma das condições para a participação do Israel Beiteinu na nova coalizão governamental.

Para o sociólogo Lev Grinberg, da Universidade Ben Gurion, "Lieberman baseou toda a sua campanha em sentimentos de medo e ódio aos árabes, e foi favorecido pelo clima de guerra que se criou em Israel durante a recente ofensiva à Faixa de Gaza".

"Como um fascista clássico, ele se aproveitou dos mêdos da população e incentivou o ódio", disse Grinberg à BBC Brasil.

A solução proposta por Lieberman para o conflito entre israelenses e palestinos também foi alvo de controvérsia. Ele defende a "troca de territórios e populações", inclusive com cidadãos árabes de Israel (20% da população do país) sendo "transferidos" para o Estado palestino, e os assentamentos israelenses nos territórios ocupados anexados a Israel.

"Palavras vazias" O Israel Beitenu, entretanto, rejeita as acusações de fascismo e racismo.

"Eles (da esquerda) começaram a lançar palavras vazias no ar quando perceberam que estavam se enfraquecendo e nós estávamos crescendo", disse à BBC Brasil Dany Ayalon, número 7 na lista do partido e ex-embaixador de Israel nos Estados Unidos.

"Tudo o que queremos é um mínimo de solidariedade entre os cidadãos e o Estado, sem diferença entre cidadãos árabes e judeus. O que não pode ser é que cidadãos israelenses façam parte de organizações que querem exterminar Israel", concluiu Ayalon.

Muitos eleitores do partido de Lieberman dizem que o Israel Beitenu defende os interesses dos cidadãos israelenses:

"Nestas eleições, o povo de Israel expressou sua opinião de forma muito clara, que entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo só pode haver o Estado de Israel, e agora vão terminar as restrições aos assentamentos na Judeia e Samaria (nome bíblico para a Cisjordânia)", disse à BBC Brasil Pinhas Valertein, um dos líderes de colonos judaicos na Cisjordânia.

Atenção

O Israel Beitenu obteve 15 das 120 cadeiras do Parlamento, atrás do partido governista Kadima, que conseguiu 28 assentos, e do direitista Likud, com 27. Ele também superou o Partido Trabalhista, que ficou com 13 cadeiras. Com isso, as atenções se voltaram para o líder do Israel Beitenu, Avigdor Lieberman, que pode ter papel determinante no novo governo de coalizão israelense.

Nos últimos dias, tanto Tzipi Livni, líder do Kadima, como Byniamin Netaniahu, do Likud, se encontraram com Lieberman e pediram sua recomendação junto ao presidente Shimon Peres, para que os nomeie como líderes da futura coalizão governamental.

A recomendação de Lieberman pode ter uma influência crítica sobre a decisão do presidente, pois ele deverá nomear o candidato que tenha as maiores chances de receber o apoio de pelo menos 61 parlamentares.

O Israel Beiteinu tinha apenas 4 cadeiras no Parlamento quando foi fundado, em 1999.

Nas proximas eleições, Lieberman diz que vai conquistar 30 cadeiras e se tornar o líder do governo.

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