Em carta, Sarney responde às críticas da 'Economist'

O senador José Sarney (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)
Image caption Sarney respondeu a críticas feitas por revista britânica

A edição desta semana da revista The Economist traz uma carta do presidente do Senado brasileiro, José Sarney, em que o senador responde às críticas feitas a ele em um artigo publicado pelo semanário britânico no último dia 7 de fevereiro.

No artigo intitulado "Onde os dinossauros ainda vagam", a revista classificou a eleição de Sarney para a Presidência do Senado como uma "vitória do semifeudalismo" e sugeriu que seria "hora de ele se aposentar".

Leia também na BBC Brasil: Para 'Economist', eleição de Sarney no Senado é vitória de 'semifeudalismo'

Em sua carta, o ex-presidente da República afirma que é incorreto dizer que ele domina o Estado do Maranhão como um "feudo" e justifica-se, afirmando "que há sete anos, é um grupo rival que controla o governo do Maranhão".

Respondendo às críticas feitas sobre o estado de conservação da capital maranhense, São Luís, ele diz concordar que as condições da cidade são "lamentáveis" e aproveita para criticar os adversários, afirmando que eles governam a capital "há 20 anos".

Sarney ainda se compara aos primeiros-ministros britânicos Winston Churchill (1874-1965) e Benjamin Disraeli (1804-1881) ao responder à insinuação de que ele deveria se aposentar, afirmando que "não está na tradição brasileira, nem na britânica, o limite à participação de uma pessoa na vida pública por causa da idade".

"Também não há nada de novo em membros de uma mesma família participarem da política de um país. Os exemplos na Grã-Bretanha incluem os Pitt e os Churchill, e, nos Estados Unidos, as famílias Adams, Kennedy e Bush".

Sarney ainda afirma que a população brasileira o considera "o terceiro (melhor) entre os ex-presidentes" ao responder às acusações de que ele foi um presidente "acidental e sem distinção".

"A História vai julgar o papel que cumpri, mas eu sou conhecido como o presidente da transição democrática (...) e que priorizou o desenvolvimento social. Isto permitiu o florescimento de uma sociedade verdadeiramente democrática e abriu caminho para a eleição de um operário como Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência".

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