Etíope é libertado de Guantánamo após 4 anos de prisão

Binyam Mohamed
Image caption Mohamed acusa britânicos de cumplicidade em tortura

Um residente da Grã-Bretanha que passou mais de quatro anos preso na prisão americana na baía de Guantánamo, em Cuba, retornou ao país nesta segunda-feira.

Binyam Mohamed, um etíope de 30 anos, havia sido preso em 2002 no Paquistão acusado de envolvimento em um plano para detonar uma bomba nos Estados Unidos. As acusações, no entanto, foram retiradas no ano passado.

O etíope, que permanece sob custódia das autoridades da Grã-Bretanha, disse ter sido torturado para confessar que participou do plano e acusa autoridades do serviço de inteligência doméstica britânico (MI5) de cumplicidade nos abusos que sofreu.

Ele alega que foi enviado secretamente do Paquistão para o Marrocos, onde teria sido torturado, e que de lá teria sido transferido para o Afeganistão e depois para Guantánamo, onde estava desde 2004.

A procuradoria-geral da Grã-Bretanha está consultando o diretor da promotoria pública do país para decidir se deve ser aberta uma investigação criminal sobre as alegações de tortura.

A transferência de Binyam de Guantánamo é a primeira a ser autorizada pela administração do presidente americano, Barack Obama.

Futuro

A ONG jurídica Reprieve, que representa o prisioneiro, disse que ele não oferece riscos à Grã-Bretanha e que espera que o governo conceda sua liberdade "imediatamente".

"Ele apenas quer ir para algum lugar calmo e tentar se recuperar. Cada momento que ele ficar preso reviverá o que sofreu", disse o diretor da Reprieve, Clive Stafford Smith.

O analista da BBC Gordon Corera disse que em ocasiões anteriores, detentos transferidos de Guantánamo para a Grã-Bretanha foram interrogados pela polícia logo que chegaram ao país.

Mohamed vivia na Grã-Bretanha desde os 15 anos de idade até ser preso.

No início deste ano ele fez uma greve de fome de um mês na prisão e seus advogados afirmaram que ele chegou "perto da inanição".

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