Exportações japonesas caem mais de 45% em janeiro

Porto de Yokohama, no Japão (arquivo/AP)
Image caption Japão apresentou déficit comercial recorde em janeiro

Dados divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério das Finanças do Japão apontam que as exportações do país caíram mais de 45% no último mês de janeiro, em comparação com o mesmo período de 2008.

A forte queda nas exportações japonesas fez com que o país apresentasse um déficit comercial de 952,6 bilhões de ienes (US$ 9,9 bilhões) em janeiro, o mais alto desde que os dados começaram a ser registrados.

Este é o quarto mês consecutivo que o país apresenta déficit comercial. Os indicadores confirmam a gravidade da recessão que tem atingido a segunda maior economia do planeta.

Um dos setores mais afetados foi o das exportações de automóveis. A demanda por carros japoneses caiu quase 69% (em valor) em relação ao mesmo mês de 2008.

As exportações de produtos eletrônicos e outras mercadorias também apresentaram quedas, na medida em que os consumidores passaram a gastar menos por causa da crise econômica internacional.

Parceiros

As vendas de produtos para o mercado dos Estados Unidos - o maior parceiro comercial do Japão - apresentaram uma queda de quase 53% no período, enquanto o comércio com a China recuou em 45%.

Os dados divulgados ainda apontam um recuo de 38% nas exportações para o Brasil em relação ao mês de janeiro de 2008.

Segundo o correspondente da BBC em Tóquio, Roland Buerk, o governo japonês tem pressionado o parlamento para que aprove um pacote de estímulo à economia, que poderia incluir até mesmo o pagamento de US$ 130 para cada contribuinte japonês.

Qualquer medida do tipo, no entanto, deve ser de difícil aprovação por causa da alta rejeição ao primeiro-ministro Taro Aso, segundo Buerk.

Protecionismo

A divulgação dos indicadores econômicos acontece um dia depois da visita do primeiro-ministro japonês, Taro Aso, ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em Washington.

Em uma nota divulgada pela Casa Branca logo após o encontro, os dois líderes se comprometeram a "trabalhar juntos para estimular as demandas internas e externas e a ajudar outros países a enfrentarem a crise econômica".

O comunicado ainda afirma que os dois países "concordam em resistir ao protecionismo".

O Japão foi um dos países - junto com Brasil, Canadá e membros da União Europeia - que expressou preocupação com a cláusula conhecida como "Buy American" do plano de recuperação econômica recentemente aprovado pelo Congresso dos EUA.

Após os protestos, no entanto, os congressistas americanos votaram por amenizar a cláusula, prevendo que ela só poderá ser aplicada na medida em que não interfira nos acordos comerciais firmados pelos EUA.

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