Fidel aprova reforma em Cuba e critica ministros destituídos

O ex-presidente cubano Fidel Castro (Getty Images/ 12/2)
Image caption Fidel disse ter sido consultado sobre reformas em Cuba

O ex-presidente cubano Fidel Castro acusou nesta terça-feira os membros do governo de Cuba destituídos em uma reforma ministerial anunciada na última segunda-feira de terem cumprido um "papel indigno".

Fidel não especificou nomes em suas críticas, publicadas no portal de internet oficial Cuba Debate, mas tudo parece indicar que ele se refere a dois de seus mais próximos colaboradores: o ex-chanceler Felipe Pérez Roque e Carlos Lage, ex-chefe do Conselho de Ministros.

Os dois eram considerados possíveis futuros candidatos à Presidência do país.

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"O mel do poder, pelo qual eles não fizeram sacrifício algum, despertou ambições que os conduziram a um papel indigno. O inimigo externo ficou cheio de ilusões com eles", disse Fidel no artigo.

No mesmo documento, o ex-líder cubano também descartou as versões de que a reforma anunciada por seu irmão, o presidente Raúl Castro, serviriam para colocar no gabinete nomes mais fiéis ao atual presidente.

"Várias (versões) afirmam ou fazem eco a rumores de que se trata de uma substituição dos 'homens de Fidel ' pelos 'homens de Raúl'", escreveu.

"(Mas) a maioria dos que foram substituídos não foram indicados por mim. Quase sem exceção, chegaram a seus cargos por indicações de outros companheiros da direção do Partido ou do Estado. Nunca me dediquei a este ofício", acrescentou.

Fidel ainda afirmou que foi consultado sobre a substituição de 12 altos funcionários do governo (11 ministros e o chefe de gabinete) anunciada por seu irmão.

"Me consultaram, apesar de não haver nenhuma norma que os obrigasse, já que renunciei faz tempo ao poder".

Futuro incerto

Depois do anúncio da reforma, o futuro de Felipe Pérez Roque e de Carlos Lage ainda permanece incerto.

Até agora, o governo cubano não anunciou, por exemplo, o que ocorrerá com o posto de vice-presidente, que ainda é ocupado por Lage.

Mas, apesar da aprovação de Fidel às decisões de seu irmão, as reformas no gabinete parecem consolidar uma nova era nas relações de poder dentro do governo cubano, segundo o correspondente da BBC Mundo, Fernando Ravsberg.

"As substituições anunciadas por Raúl marcam a independência do novo presidente, sobretudo quando se leva em conta que muitos dos funcionários removidos haviam sido ratificados nos cargos por Fidel em seu testamento político", diz Ravsberg.

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Segundo ele, com a reforma ministerial, Raúl parece querer simplificar o aparato estatal, colocar homens de sua confiança em postos-chave e mostrar a todos os funcionários do governo que "ninguém é intocável".

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