China prevê ano difícil, mas planeja crescer 8% em 2009

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, durante discurso nesta quinta-feira (AP)
Image caption Wen Jiabao deu mais detalhes de plano para estimular economia

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, afirmou nesta quinta-feira que a crise econômica fará com que este seja um ano difícil para a China, mas, mesmo assim, disse prever um crescimento econômico de 8% para o país em 2009.

No discurso de inauguração da legislatura de 2009 da Assembleia Popular da China, o premiê afirmou que a crise econômica gerou um cenário de "incertezas", mas que tem confiança de que estas dificuldades poderão ser superadas.

"A crise econômica global ainda está se expandindo, ainda não vimos o pior dela. A demanda global continua a se contrair. O ambiente econômico externo da China está ficando mais sério. Há crescentes elementos de incertezas", disse o premiê chinês.

Dirigindo-se a 3 mil delegados do Partido Comunista, em Pequim, Wen, no entanto, afirmou que o país tem condições de superar a crise.

"Nós estamos confiantes de que superaremos as dificuldades e os desafios. Nós temos as condições e habilidades para fazê-lo", afirmou.

Ele ainda disse que o governo mantém a previsão de crescimento de 8% para este ano e que espera criar 9 milhões de empregos em 2009.

"A China é um país em desenvolvimento com uma população de 1,3 bilhão de pessoas. Manter uma taxa de crescimento para a economia é essencial para expandir os empregos nas áreas urbanas e rurais, aumentando o rendimento das pessoas e garantindo a estabilidade social", disse.

Investimentos

Wen Jiabao também deu mais detalhes do plano de US$ 586 bilhões de estímulo à economia anunciado pelo governo chinês em novembro do ano passado.

Entre as medidas estão estratégias para estimular o consumo interno, como o aumento de salários, o estímulo à compra de automóveis e subsídios para agricultores.

O premiê ainda afirmou que pretende estabilizar o mercado imobiliário, facilitando o acesso a moradias para os chineses de baixa renda.

"Nós devemos direcionar os investimentos para áreas que podem ajudar a combater os efeitos da crise financeira global e para setores com desenvolvimento econômico e social fracos", disse.

Ao contrário das expectativas, no entanto, o governo chinês parece não estar prevendo gastos para estimular a economia além dos já anunciados em novembro.

O primeiro-ministro ainda afirmou que os investimentos para amortecer os impactos da crise farão com que o déficit fiscal chinês seja de US$ 139 bilhões em 2009, o maior em seis décadas, segundo a agência estatal de notícias Xinhua.

Taiwan

Wen Jiabao também afirmou que seu país está disposto a discutir o fim das hostilidades com Taiwan, que é considerado um território rebelde pela China.

"Nós estamos prontos para negociações em questões militares e políticas para criar condições para o fim do ambiente hostil e para concluir os acordos de paz entre os dois lados do estreito de Taiwan", disse.

Desde 1949, quando Taiwan se separou da China, Pequim reivindica a soberania sobre a ilha.

Mesmo assim, Wen ressaltou que qualquer negociação deve ser baseada no princípio de uma "China única".