Evo Morales expulsa diplomata americano da Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, segura folha de coca durante coletiva de imprensa meste segunda-feira (AP)
Image caption Morales acusou diplomata americano de conspiração contra seu governo

O presidente da Bolívia, Evo Morales, ordenou nesta segunda-feira a expulsão do país de um diplomata norte-americano acusado pelo governo de "conspirar" com a oposição durante a crise política entre agosto e setembro do ano passado.

Morales afirmou que Francisco Martinez, funcionário da embaixada americana em La Paz, teria ligações com grupos que se envolveram em protestos violentos contra seu governo.

"Tenho informações de que este senhor se reuniu com prefeitos (governadores) da oposição", disse o presidente. A medida de Morales é anunciada seis meses depois da expulsão do ex-embaixador americano do país, Philip Goldberg, que também foi acusado de conspiração.

Leia também na BBC Brasil: Morales expulsa embaixador dos EUA na Bolívia

"Francisco Martinez era o contato com o grupo de opositores durante todo processo de conspiração (...)", afirmou Morales durante o ato de posse do novo comandante da polícia do país, segundo a agência estatal ABI (Agencia Boliviana de Información).

"Hoje (segunda-feira), decidimos declará-lo persona non grata e pedi ao chanceler (David Choquehuanca) que comunique a decisão (à representação americana no país)", disse o presidente boliviano.

Segundo a ABI, o diplomata tem agora um prazo de 48 horas para deixar a Bolívia.

"Conspiração"

Na semana passada, Morales acusou publicamente o diplomata americano de "contatos coordenados" com um oficial da polícia boliviana acusado de se infiltrar na estatal energética YPFB sob as ordens da CIA (a agência central de inteligência dos EUA).

O diretor da YPFB, Santos Ramirez, aliado de Morales, foi preso em fevereiro passado, em meio a acusações de corrupção.

Negando as acusações de Morales, o governo americano afirmou na semana passada que o presidente boliviano estaria tentando usar os EUA como um "bode expiatório" para seus problemas domésticos.

"Nós não conseguimos entender como o presidente quer melhorar as relações com os Estados Unidos ao mesmo tempo em que continua fazendo acusações falsas", afirmou a porta-voz da embaixada dos Estados Unidos Denise Urs.

Duas semanas atrás Morales também acusou a CIA de conspirar contra suas políticas energéticas.

Em novembro do ano passado, o presidente também suspendeu a cooperação entre seu país e o DEA (órgão americano para o combate às drogas), sob a acusação de conspiração com a oposição.

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