Ex-preso em Guantánamo se torna comandante do Talebã

Image caption Atuação do Talebã é mais forte no sul do Afeganistão

Representantes do Talebã no Afeganistão confirmaram nesta quinta-feira que um homem que estava detido pelos Estados Unidos na prisão da base militar da Baía de Guantánamo se tornou um dos principais comandantes da milícia no sul do país.

O mulá Abdullah Zakir tem comandado batalhas contra as tropas britânicas na província de Helmand, de acordo com o Talebã.

O ex-prisioneiro de Guantánamo estaria comandando militarmente o grupo na região e em outras províncias do sul do Afeganistão.

Abdullah ficou detido em Guantánamo por seis anos até dezembro de 2007, quando foi entregue a oficiais afegãos e depois solto.

Impunidade

O correspondente da BBC em Cabul, Martin Patience, diz que o comando do Talebã afirmou que a libertação de Abdullah foi bastante positiva para o movimento.

No mês passado, o governo da Grã-Bretanha havia dito à BBC que Abdullah seria um dos responsáveis por ataques a tropas britânicas e da Otan no Afeganistão.

Segundo integrantes do governo britânico, ele comandaria as operações a partir da cidade paquistanesa de Quetta, de onde atua impunemente.

Abdullah é originário de Helmand, província violenta, considerada o maior reduto do Talebã e onde a maior parte das tropas britânicas está localizada.

Repatriação

No início da semana, o comandante americano no Afeganistão, David McKiernan, disse que a coalizão liderada pelos Estados Unidos não está vencendo a guerra em vastas áreas do sul afegão.

O governo americano pretende enviar milhares de soldados a mais para a região nos próximos meses para reforçar a luta contra o Talebã.

O Pentágono afirma que mais de 10% dos 520 detidos em Guantánamo que já foram liberados voltaram a exercer atividades consideradas "terrorismo" pelos Estados Unidos - o que dificulta os esforços para libertar e repatriar os ainda detidos.

Logo após assumir o carg, em janeiro, o presidente americano, Barack Obama, assinou um decreto que determina o fechamento dentro de um ano da polêmica prisão de Guantánamo.