Antigo grupo guerrilheiro pode chegar ao poder em El Salvador

Mauricio Funes
Image caption Funes diz querer criar um modelo próprio de esquerda

O candidato de esquerda Mauricio Funes leva ligeira vantagem para vencer as eleições presidenciais de domingo em El Salvador, segundo pesquisas de intenção de voto.

Ele contaria com cerca de 5% a mais das intenções de voto do que o candidato de direita, Rodrigo Ávila, do partido Arena, organização que está no poder há 17 anos.

O partido de Funes, a Frente Farabundo Marti para a Libertação Nacional (FMLN), era uma organização guerrilheira durante a guerra civil que aconteceu no país entre 1980 e 1992, mas Funes não tem passado revolucionário.

A escolha do jornalista de 49 anos foi interpretada como uma tentativa do partido de conquistar eleitores mais moderados. Recentemente, o FMLN já havia conquistado o maior número de cadeiras nas eleições parlamentares.

Lula e Obama

Rodrigo Ávila, que é chefe da Polícia Civil do país, diz que Funes transformará El Salvador em uma espécie de satélite venezuelano, se vencer.

"Chávez e FMLN são inimigos dos Estados Unidos. Um voto para o FMLN é um voto para o Chávez", diz a propaganda eleitoral da Arena.

Mas Funes nega que vá ingressar na zona de livre comércio Alternativa Bolivariana para as Américas, criada por Chávez e composta por Venezuela, Bolívia, Cuba e Nicarágua

Ao invés de uma forte guinada à esquerda, o candidato do FMLN promete criar um novo modelo político "de acordo com as necessidades de El Salvador". Ele diz que vai manter os acordos de livre comércio já firmados e pediu confiança ao empresariado.

Em sua campanha eleitoral, Funes se diz inspirado pelos presidentes Obama e Lula.

Problemas sociais

O novo presidente salvadorenho herdará um país que não se recuperou ainda da guerra civil que matou mais de 70 mil pessoas e deixou uma herança de violência.

O país foi considerado, segundo levantamento recente da revista britânica The Economist, o mais violento do mundo, com taxas de assassinato de 67,8 para cada 100 mil habitantes. A média dos demais países latino-americanos é de 24,8 assassinatos para cada 100 mil habitantes.

O fenômeno mais visível é o das Maras, ou gangues juvenis armadas que controlam bairros inteiros. A estratégia adotada por Ávila, de endurecimento da repressão policial, não vem funcionando, segundo especialistas, e a criminalidade vem aumentando.

Além disso, o país enfrenta vários problemas sociais e 47,5% de seus 5,7 milhões de habitantes vive abaixo da linha da pobreza, segundos dados de 2004.