Iraquianos estão mais otimistas em relação ao futuro, diz pesquisa

Bagdá
Image caption Iraquianos de Bagdá estão mais pessimistas do que a média

Pela primeira vez desde a invasão liderada pelas forças americanas, em 2003, a violência e a falta de segurança não são mais as principais preocupações dos iraquianos. Segundo uma pesquisa de opinião encomendada pelas emissoras BBC, ABC e NHK, um número maior de iraquianos está esperançoso em relação ao futuro e mais preocupado com problemas cotidianos, como economia e emprego.

Os iraquianos, no entanto, permanecem com uma visão negativa em relação ao poder de governos estrangeiros sobre seu país, em particular, o Irã, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

A pesquisa foi realizada em fevereiro, antes da recente onda de atentados que causou a morte de dezenas de pessoas no Iraque.

Ao todo, foram entrevistados 2.228 iraquianos em todas as 18 províncias do país. A margem de erro é de 2,5%.

Segurança

Esta é a sexta de uma série de pesquisas de opinião realizadas desde março de 2004, e mostra uma melhora geral na percepção dos iraquianos sobre o próprio país, afirma Adam Mynott, da BBC.

As conclusões mostram mudanças distintas de opinião desde o último levantamento, em março do ano passado.

Sobre segurança, 85% dos entrevistados descreveram a atual situação como muito boa ou boa - um aumento de 23 pontos percentuais em relação ao ano passado.

Ao todo, 52% dos entrevistados disseram que a segurança melhorou no último ano - em comparação a 16% em março do ano passado - e 8% disseram que estava pior, em comparação a 26% na última pesquisa.

Mais da metade - 59% - dos entrevistados disse se sentir mais seguro em seu bairro, um aumento de 22 pontos percentuais em relação a março de 2008.

Distribuição

O número de pessoas relatando experiências violentas - como a explosão de carros-bomba, atentados suicidas, lutas sectárias, seqüestros e assassinatos - em suas vizinhanças também foi muito mais baixo do que no ano passado.

Ao todo, o número de pessoas dizendo que sua vida vai muito bem ou bem aumentou para 65% do total, um aumento de nove pontos percentuais. Também houve aumento de 14 pontos percentuais - para 60% - de pessoas que acreditam que o Iraque estará ainda melhor daqui a um ano.

A pesquisa ainda mostra que a percepção sobre alguns aspectos da vida cotidiana está melhorando.

A falta de energia vinha sendo apontada como um dos maiores problemas do país nos últimos seis anos, com apenas 10% dos entrevistados dizendo que tinham serviços confiáveis. Nesta pesquisa, o número subiu para 37%.

O número de pessoas dizendo que a disponibilidade de combustível para cozinhar ou para automóveis aumentou para 67% - um aumento de 48 pontos percentuais em relação a março do ano passado.

Sunitas

Todas as pesquisas anteriores mostraram diferenças marcadas entre sunitas e xiitas, com a minoria sunita mais pessimista que a maioria xiita em relação à situação atual e as perspectivas para o Iraque.

Nesta pesquisa, também é possível perceber as diferenças, mas os sunitas parecem estar mais otimistas.

Ao todo, houve um aumento de nove pontos percentuais sobre os que acreditam que suas vidas vão muito bem ou bem - entre os sunitas, este aumento foi de 16 pontos percentuais.

Catorze por cento dos entrevistados acreditam que as coisas vão melhorar no próximo ano - entre os sunitas, este aumento foi de 29%. Também aumentou em 23 pontos percentuais o número de pessoas que consideram a segurança de seu bairro muito boa ou boa, mas entre os sunitas, este aumento foi de 32 pontos percentuais.

O número de pessoas que apóiam a democracia como modelo favorito de governo para o Iraque em comparação com um líder forte ou um Estado islâmico aumentou em 21 pontos percentuais. Entre os sunitas este número aumentou em 27 pontos percentuais.

Diferenças regionais

Ao responder sobre o papel positivo ou negativo de países estrangeiros sobre o Iraque, o Irã, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha tiveram a pior avaliação.

Ao todo, 68% dos entrevistados acreditam que a influência iraniana é negativa, enquanto 12% a consideram positiva; 64% afirmam que o papel dos EUA é negativo, contra 18% que o consideram positivo; e 59% consideram a influência britânica negativa, enquanto apenas 22% a consideram positiva.

Ainda segundo a pesquisa, 56% acreditam que a invasão das forças aliadas em 2003 foi errada (um aumento de seis pontos percentuais), enquanto 42% afirmam que ela foi correta (uma queda de sete pontos percentuais).

Apenas 30% dos entrevistados consideram que as forças da coalizão estão fazendo um bom trabalho, contra 69% que consideram sua ação ruim - mais ou menos a mesma proporção de um ano atrás.

A pesquisa ainda sugere diferenças marcadas entre os moradores das regiões norte, centro e sul do Iraque - em geral, os entrevistados da região central, que inclui Bagdá, são significativamente menos positivos sobre quão boa é sua vida.