Filme patrocinado por governo marca reabilitação de Confúcio na China

O ator Chow Yun-Fat
Image caption O papel de Confúcio no longa ficou para o ator de Hong Kong Chow Yun-Fat

O governo da China irá copatrocinar um filme sobre a vida e obra de Confúcio, num sinal de que o filósofo, que nos tempos maoístas foi banido pelo Partido Comunista, está sendo reabilitado no país.

A produção custará US$ 2,8 milhões e é uma parceria entre os estúdios Dadi Cinema, de Pequim, e a estatal China Film Group.

O filme será estrelado pelo galã de Hong Kong Chow Yun-Fat, que também participou de O Tigre e o Dragão.

As gravações deverão começar em três semanas, mas ainda não há uma previsão para a data de lançamento.

Burguês e Feudal

A obra do filósofo, que viveu na época de 500 A.C. e esteve na corte da dinastia Zhou, enfatiza a fidelidade à família e busca da harmonia, ideias consideradas "burguesas" e "feudais" nos tempos da Revolução Cultural (1966-1976) e por isso combatidas pelo Partido Comunista.

Durante a revolução, os estudantes da Guarda Vermelha fiéis a Mao Tse-Tung invadiram a casa dos descendentes de Confúcio, violaram o tumulo dele e depredaram o templo erguido em sua homenagem na cidade de Qufu.

Na ação, mais de 6,6 mil relíquias históricas foram destruídas.

Reabilitação

A "reabilitação" de Confúcio vinha ocorrendo gradualmente desde o começo das reformas de abertura da China, mas a recente aceleração desse processo é vista como um sinal de que o Partido Comunista considera a filosofia confucionista como uma alternativa à religião.

Diversos editoriais em jornais estatais como o China Daily e o People's Daily reforçaram essa ideia afirmando de que as virtudes confucionistas são necessárias em uma China cada vez mais materialista.

A ênfase em harmonia, paz e fidelidade filial também vem bem a calhar em uma sociedade onde o desnível entre ricos e pobres cresce a olhos vistos, ameaçando a estabilidade do Partido Comunista.

"Diferentemente da tradição judaico-cristã ocidental, na China a moral não descende da religião. É um sistema oriundo do Confucionismo" escreveu Lau Nai-keung no China Daily.

Retorno

O retorno do confucionismo se mostra em muitas frentes.

Institutos de cultura chinesa patrocinados pelo governo chinês no exterior foram batizados em homenagem a Confúcio.

Oficiais do Partido Comunista têm incluído em seus discursos citações do filósofo, e pelo menos um livro sobre ele lançado recentemente virou bestseller nacional.

Até a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos fez referência a Confúcio citando a frase de saudação aos "amigos que vem de longe".

Ainda nesta quarta-feira, por exemplo, o roteiro da visita oficial do premiê norte-coreano Kim Yong Il incluiu uma visita ao templo de Confúcio em Qufu, em mais uma nítida mostra de que o Partido Comunista está reforçando a ideologia confucionista como parte da identidade cultural chinesa.

"O Confucionismo, que é a espinha dorsal da ética e permeia todas as facetas da sociedade chinesa, está tendo evidentemente um retorno", concluiu Lau Nai-keung no China Daily.

Notícias relacionadas

Links de internet relacionados

A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos de internet