Cronologia: Fritzl manteve filha presa por 24 anos

Hospital de Amstetten
Image caption O caso começou a ser desvendado no hospital de Amstetten

O austríaco Josef Fritzl, de 73 anos de idade, manteve a filha Elisabeth Fritzl presa no porão de sua casa por 24 anos e a estuprou repetidas vezes. Seu julgamento, em Sankt Pölten, na Áustria, deve ser encerrado esta semana.

Veja abaixo a cronologia do caso.

28 de agosto de 1984

Josef Fritzl atrai a filha Elisabeth para o porão de sua casa, dopando a então jovem de 18 anos e colocando algemas antes de trancá-la. Elisabeth contou aos investigadores que sofria abusos sexuais de seu pai antes mesmo do encarceramento.

Data desconhecida

Fritzl e sua esposa recebem uma carta com a letra de Elisabeth que afirmava que eles não deveriam mais procurá-la. Elisabeth contou a investigadores que sua mãe não sabia a verdade.

Aproximadamente entre 1988 e 1989

A primeira das sete crianças apresentadas, uma menina, nasce em segredo no porão (a data exata não é conhecida). Outra criança, um menino, nasce depois.

1993

Uma criança é descoberta em frente à casa da família, junto com uma carta que seria de Elisabeth e que afirmava que ela não poderia cuidar da criança. O bebê é então acolhido por Josef Fritzl e sua esposa. Uma segunda criança aparece em 1994. As duas são acolhidas ou adotadas e criadas pelos avós.

1996

Elisabeth tem gêmeos, mas um deles morre logo depois do nascimento. O corpo teria sido levado e colocado em um incinerador por Josef Fritzl.

1997

Uma terceira criança aparece em frente à casa da família Fritzl e, como as outras duas, é acolhido e criado pelos avós.

1998

De acordo com informações da imprensa, Josef Fritzl vai para a Tailândia durante quatro semanas, uma de várias viagens. Autoridades afirmaram que a família escondida pode ter ficado sem estoques de alimentos durante estas viagens.

2003

Uma carta de Elisabeth chega com a notícia de que ela teve outro filho em dezembro de 2002. Esta criança, um menino, teria sido criada no porão, junto com seu irmão e irmã mais velhos.

Sábado, 19 de abril de 2008

A polícia divulga um apelo para encontrar uma pessoa desaparecida - Elisabeth - para entrar em contato com os pais a respeito de sua filha de 19 anos, que tinha sido internada em um hospital em Amstetten com uma doença grave.

Josef Fritzl disse a funcionários do hospital que a mãe da jovem não conseguiria e não queria cuidar dela e a deixou em frente da casa dos avós.

19-26 de abril

Image caption Os supostos abusos teriam ocorrido no porão da casa em Amstetten

De acordo com uma declaração da polícia, em algum momento durante a semana Josef Fritzl liberta Elisabeth e outras duas crianças do porão da casa, alegando para a esposa que Elisabeth tinha escolhido voltar para casa.

Sábado, 26 de abril

A polícia detém Josef Fritzl e Elisabeth perto do hospital de Amstetten, onde a filha de 19 anos está sendo tratada. Os filhos de Elisabeth são encontrados na casa.

Domingo, 27 de abril

A polícia anuncia a prisão de Fritzl sob a suspeita de incesto e sequestro. Todas as crianças encontradas são levadas para um abrigo e Elisabeth recebe tratamento médico e psicológico. Fritzl fornece à polícia o código para destrancar a porta escondida para o espaço no porão onde Elisabeth e seus filhos viviam, um espaço formado por uma rede de pequenas câmaras sem janelas.

Todas as crianças, exceto a filha mais velha que estava doente, se reúnem pela primeira vez e Elisabeth se reúne com sua mãe.

Segunda-feira, 28 de abril

Josef Fritzl confessa ter mantido Elisabeth presa no porão por 24 anos. Ele também confessa ser o pai de sete filhos com ela. Fritzl confirma para os investigadores que uma das crianças morreu logo depois do nascimento e que ele pegou o corpo e colocou no incinerador.

Terça-feira, 29 de abril

A polícia anuncia que exames de DNA confirmam que Fritzl é o pai dos filhos de Elisabeth.

Enquanto a filha mais velha permanece no hospital, em estado grave porém estável, Josef Fritzl comparece a uma audiência e o juiz determina sua detenção.

Autoridades relatam sobre o "surpreendente" encontro entre Elisabeth, agora com 42 anos, e dois dos três filhos que viviam com ela no porão, os irmãos de 18 e cinco anos, com os outros filhos que ela teve.

No mesmo dia centenas de pessoas em Amstetten participam de uma vigília com velas, organizada por uma escola religiosa local, para demonstrar solidariedade.

Quarta-feira, 30 de abril

A polícia afirma que Josef Fritzl se recusa a responder perguntas logo depois de sua confissão assinada.

Elisabeth e seus filhos estão juntos em uma ala isolada de uma clínica médica, sendo supervisionados por uma equipe multidisciplinar durante 24 horas.

Os que foram mantidos presos precisam se acostumar com espaço, luz e, principalmente, alimentação diferente, segundo as autoridades. Uma festa de aniversário improvisada é feita para uma das crianças, de 12 anos.

O chanceler da Áustria, Alfred Gusenbauer, promete proteger a imagem do país com uma campanha em países estrangeiros. "Não vamos permitir que o país inteiro seja mantido refém por um único homem", afirmou o chanceler.

Quarta-feira, 15 de outubro

Promotores declaram que Josef Fritzl tem condições mentais de ser julgado.

Image caption A imprensa acompanha o caso desde a descoberta em abril de 2008

As autoridades afirmam que uma avaliação psiquiátrica pedida pela Justiça mostrou que Fritzl, de 73 anos, mostrou a lucidez necessária para ser julgado, mesmo sofrendo de um "profundo distúrbio de personalidade".

Quinta-feira, 13 de novembro

Josef Fritzl é acusado formalmente de assassinato de um dos sete filhos que teve com Elisabeth.

A criança teria morrido no porão logo depois do nascimento. Promotores alegam que o menino foi assassinado por negligência, pois Fritzl não procurou ajuda de médicos que poderiam ter salvado a vida da criança.

Quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Promotores afirmam que Jose Fritzl será julgado no dia 16 de março.

Segunda-feira, 16 de março de 2009

Fritzl vai a julgamento na corte de Sankt Pölten, na Áustria, a oeste de Viena, em meio à intensa cobertura da imprensa.

Ele admite que é culpado de estupro e incesto mas afirma ser inocente das acusações de assassinato e prática e escravidão.

As portas do tribunal são fechadas para a imprensa e o público.

Quarta-feira, 18 de março de 2009

Josef Fritzl muda suas alegações e se declara culpado de todas as acusações, incluindo estupro, incesto, assassinato e prática de escravidão.

Ele inicialmente tinha negado duas das acusações, incluindo o assassinato de um de seus filhos logo depois do nascimento.

Perguntado pelo juiz o que o levou a mudar de idéia, Fritzl respondeu que mudou suas declarações após assistir o depoimento em vídeo de sua filha.

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