Coreia do Norte prende jornalistas dos EUA, diz mídia sul-coreana

Fronteira entre a China e a Coréia do Norte
Image caption Guardas teriam cruzado a fronteira com a China para prender jornalistas

Soldados norte-coreanos teriam prendido duas jornalistas americanas, segundo relatos da mídia sul-coreana.

As duas estariam em território chinês, próximo à fronteira com a Coreia do Norte, no momento da detenção.

Segundo os relatos na Coreia do Sul, que citam autoridades locais, guardas de fronteira norte-coreanos teriam detido as duas jornalistas.

Os guardas de fronteira teriam passado ao território chinês para fazer a detenção após as jornalistas ignorarem ordens para parar de filmar na área.

Os Estados Unidos expressaram "preocupação" sobre as duas jornalistas. O governo norte-coreano ainda não se pronunciou sobre o assunto, enquanto a China disse que está investigando o ocorrido.

Segundo a agência de notícias Associated Press, a sino-americana Laura Ling e a coreana-americana Euna Lee, ambas da emissora online californiana Current TV, teriam sido detidas na terça-feira.

O guia das duas, um chinês de origem coreana, também teria sido detido, segundo a agência.

Chun Ki-won, um sacerdote cristão de Seul que ajudou a organizar a viagem das jornalistas à região, afirmou que elas foram à área para coletar informações sobre refugiados norte-coreanos no nordeste da China.

Tensões elevadas

A detenção dos jornalistas ocorre em um momento de tensões elevadas entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte.

O governo norte-coreano provocou irritação nos Estados Unidos ao planejar o lançamento de um míssil em abril como parte de seu programa de comunicações por satélite.

Os Estados Unidos acreditam que o lançamento tem o objetivo de testar um foguete que poderia potencialmente ser carregado com armamentos para atingir o território americano.

As informações sobre o local exato da detenção ainda são confusas. A TV sul-coreana YTN e fontes diplomáticas não identificadas dizem que os guardas cruzaram o rio Tumen até o território chinês para prender as jornalistas.

O jornal Munhwa Ilbo relatou a prisão de apenas uma jornalista e disse que o incidente ocorreu em outro rio de fronteira, o Yalu. As duas áreas ficam a centenas de quilômetros de distância uma da outra.

Tanto o rio Tumen quanto o Yalu são pontos comuns de trânsito fronteiriço entre a China e a Coreia do Norte.

Muitos norte-coreanos também tentam cruzar os rios para fugir à China pela fronteira, escapando da pobreza e da repressão em sua terra natal e atraídos pela economia chinesa em expansão.

Segundo o correspondente da BBC Michael Bristow, que esteve recentemente na fronteira da Coreia do Norte com a China, diz que há uma forte presença militar na área.

Há postos de checagem a cada poucos quilômetros, segundo ele, com soldados tanto da China quanto da Coreia do Norte visíveis nas margens do rio.

Em 1996, um americano foi preso por norte-coreanos sob a acusação de espionagem, após mergulhar no rio Yalu. Ele foi libertado após três meses, com a intervenção de um congressista dos Estados Unidos.

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