Franceses fazem greve contra o desemprego

Greve de janeiro
Image caption A greve de janeiro mobilizou mais de um milhão de pessoas

A segunda greve geral convocada em menos de dois meses pode paralisar a França nesta quinta-feira, afetando transporte público, aeroportos, escolas, correios, empresas de setores de energia e telecomunicações e outros serviços do país, como rádios e TVs estatais.

Em meio à crescente tensão social no país, os grevistas reivindicam que o governo francês tome medidas para proteger o emprego e adote iniciativas para melhorar o poder aquisitivo da população.

A paralisação conta com o apoio de 74% da população, segundo pesquisa, e também deve afetar empresas privadas, como montadoras, supermercados, bancos e grandes multinacionais que anunciaram demissões recentemente.

A estatal ferroviária SNCF informou que 60% dos trens-bala devem funcionar nesta quinta. Apenas enter 20% e 45% dos trens de periferia e regionais circulavam nesta manhã.

Em Paris, os metrôs e ônibus não estavam sendo muito afetados. As linhas funcionaram "quase normalmente" durante a manhã segundo a RATP, a operadora de transportes de Paris e arredores.

No aeroporto Charles de Gaulle não estavam previstos muitos cancelamentos, mas no aeroporto de Orly, 30% dos vôos devem ser suspensos.

Crise social

A situação social vem se deteriorando desde a última greve geral, em 29 de janeiro, a primeira de grande porte enfrentada pelo presidente Nicolas Sarkozy.

Mais de 90 mil pessoas ficaram desempregadas em janeiro, número sem precedentes registrado em apenas um mês - e que representa o dobro do total registrado em dezembro de 2008.

Desde então, outras grandes empresas anunciaram centenas e, em alguns casos, milhares de demissões.

O caso que mais vem provocando protestos é o da empresa petrolífera Total, que registrou lucro de 13,9 bilhões de euros no ano passado - o maior da história no país - mas nesta semana anunciou 555 demissões nas áreas de petroquímica e refinaria na França.

Por causa da recente onda de demissões, os sindicatos esperam participação ainda maior do que na greve anterior, que reuniu mais de um milhão de pessoas. Nesta quinta, estão previstas 200 passeatas em todo o país.

Como em janeiro, também se espera forte presença de trabalhadores do setor privado, fato até então atípico em greves na França, normalmente realizadas por funcionários públicos.

A expectativa é de que trabalhadores das montadoras Peugeot Citroën e da Renault, além de empregados do Carrefour, Total, Rhodia e Saint Gobain, entre outras empresas, participem dos protestos.

Entre os jovens, o clima de insatisfação também aumenta. Metade das universidades do país, cerca de 40, já vêm fazendo greve total ou parcial nos últimos dias, para protestar contra a reforma do ensino superior.

Pacote

Depois da greve de janeiro, Sarkozy, convocou os sindicatos para uma reunião, realizada em fevereiro.

Após o encontro, Sarkozy anunciou um pacote de 2,6 bilhões de euros, que incluiu reduções fiscais para a classe média, novos benefícios sociais para famílias de baixa renda e medidas para estimular a criação de empregos para jovens.

Mas desta vez, o governo já excluiu a possibilidade de anunciar novas medidas sociais. Na segunda-feira, o primeiro-ministro, François Fillon, disse que "qualquer quantia suplementar (ao pacote) significa dívida pública maior".

Em vez de propor novas medidas, o governo optou por fazer pressão sobre o maior sindicato patronal do país, o Medef.

Em carta enviada ao organismo, a ministra da Economia, Christine Lagarde, pede que os empresários renunciem aos seus bônus quando as companhias derem férias coletivas ou anunciarem "um grande plano de demissões".

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