Soldados israelenses afirmam que Exército matou inocentes em Gaza

Image caption Mais de um terço dos mortos na ofensiva teriam sido crianças

Soldados de Israel que participaram da recente ofensiva à Faixa de Gaza admitiram que houve casos em que militares mataram civis inocentes, danificaram propositalmente propriedades de palestinos e receberam de seus superiores ordens "permissivas" de abrir fogo, de acordo com artigo publicado nesta quinta-feira pelo jornal israelense Haaretz.

A série de depoimentos de soldados que participaram da "Operação Chumbo Fundido" na Faixa de Gaza, entre dezembro e janeiro, contradiz a versão oficial de que "as tropas mantiveram altos padrões morais em todas as fases da operação".

Fontes palestinas calculam que a ofensiva de 22 dias matou 1, 3 mil palestinos, sendo que cerca de um terço deles, crianças.

Choque

Os soldados deram os depoimentos durante um encontro fechado, realizado em fevereiro, de um grupo que havia participado, anos antes, de um curso preparatório para o Exército.

Durante o encontro dos colegas do curso, que ocorreu na academia pré-militar Itzhak Rabin, os soldados descreveram suas experiências durante a operação militar na Faixa de Gaza, levando o diretor da academia, Dani Zamir, a escrever uma carta de alerta para o comandante do Exército, general Gabi Ashkenazi.

Os depoimentos incluem diversos episódios em que os soldados teriam recebido de seus oficiais ordens para matar civis.

Em uma nota à imprensa o porta voz militar anunciou que o "procurador geral do Exército, o general de brigada Avichai Mendelblit, ordenou a Policia Militar a investigar imediatamente os depoimentos, em relação a supostos atos inaceitáveis de soldados durante a Operação Chumbo Fundido".

Na nota, o porta-voz confirma o recebimento da carta de Dani Zamir, diretor da academia pré-militar.

Em entrevista ao site de noticias Ynet, Zamir afirmou que "ficou chocado" quando ouviu os depoimentos dos soldados.

Zamir tambem disse que pretende colaborar com a investigação da Policia Militar mas vai se negar a entregar os nomes dos soldados que testemunharam.

'Assassinato'

Um dos soldados, de nome fictício Aviv, afirmou que viu um dos oficiais disparando contra uma senhora idosa que passava perto de uma casa palestina onde os soldados haviam se instalado.

O mesmo Aviv afirmou que as ordens de abrir fogo "significavam assassinar".

"Entrávamos em um prédio e recebíamos ordens de subir de andar em andar e atirar em qualquer pessoa que víssemos... chamo isso de assassinato", disse o mesmo soldado.

"Como vocês sabem, usaram muito fogo e mataram muitas pessoas para impedir que nós (os soldados) fossemos atingidos".

"Superiores nos disseram que podemos atirar nas pessoas que não fugiram, pois são terroristas, mas eles não tinham para onde fugir... isso me amedrontou, tentei fazer alguma coisa, da minha posição inferior, para mudar a situação".

O ministro da Defesa, Ehud Barak, disse à radio estatal de Israel que "o Exército vai investigar esses depoimentos com toda a seriedade".

"Nosso Exército tem os mais altos padrões morais do mundo, passei dezenas de anos de uniforme e sei o que aconteceu na Iugoslávia, no Afeganistão e no Iraque, e digo que, desde o chefe do Estado Maior, até o ultimo dos soldados, o Exército de mais alto nível moral do mundo é aquele que serve o governo de Israel", afirmou Barak.

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