Argentina aprova proibição a torcedores violentos em estádios de futebol

Partida do campeonato argentino, entre Boca Juniors e Argentinos Juniors
Image caption Casos de violência nos estádios argentinos são comuns

O governo da Argentina e a associação de futebol do país assinaram nesta segunda-feira um convênio para evitar a entrada de torcedores violentos nos estádios de futebol.

O acordo dará à Polícia Federal o poder de retirar dos estádios os torcedores com antecedentes de agressões e brigas entre torcidas, mas valerá apenas para a região da Grande Buenos Aires.

"Vamos exercer o direito de admissão para que determinados personagens que geram conflitos e agressões e estimulam a violência não entrem mais nos estádios", disse o ministro de Segurança e Justiça, Aníbal Fernández, após a assinatura do convênio.

Os clubes serão responsáveis por entregar ao ministério uma lista dos torcedores que não devem entrar nos estádios por já terem participado de alguma briga ou por terem passagens pela polícia ou processos na Justiça.

O trabalho de excluir os torcedores-problema, que ficará a cargo da Polícia Federal, era até agora responsabilidade dos próprios clubes, que alegavam dificuldade em cumprir as determinações por receberem ameaças dos torcedores rejeitados.

O acordo contou com a assinatura dos diretores dos 18 clubes de futebol, de diferentes categorias, da cidade de Buenos Aires, além de outros três da Grande Buenos Aires.

O convênio argentino foi assinado em um momento em que o Brasil também discute medidas para reduzir a violência nos estádios.

O governo brasileiro apresentou um projeto há duas semanas que prevê, entre outras coisas, a criação de um cadastro de torcedores e a criminalização de atos de violência de torcedores e torcidas organizadas nos estádios e nos seus arredores.

Barrabravas

A Argentina registra há anos casos de violência nos estádios de futebol, com envolvimento dos chamados "barrabravas", a versão local dos hooligans, ou torcedores violentos.

Muitas vezes, as imagens de socos, pauladas, pontapés e sangramentos são mostradas ao vivo pelas principais emissoras de televisão do país.

Atualmente, a polícia investiga a morte, ocorrida em agosto de 2007, de Martín Gonzalo Acro, definido pela imprensa local como integrante dos "barrabravas" do River Plate.

Nesta terça-feira, em um artigo no jornal La Nación, o jornalista Carlos Beer questiona a medida, já que ela não é nacional.

"Quando a medida entrar em vigor, um torcedor violento não poderá entrar no estádio do Boca Juniors (na capital argentina), mas sua entrada estará liberada em outro clube (fora da Grande Buenos Aires)", diz Beer.