Trabalhistas aceitam coalizão com Likud em Israel

Ehud Barak
Image caption 'Não serei figura decorativa', diz Ehud Barak sobre coalizão com Likud

O partido Trabalhista, de centro-esquerda, votou a favor de ingressar na coalizão do novo governo de Israel, liderado por Binyamin Netanyahu - líder do partido Likud, de direita, designado para o cargo de primeiro-ministro do país.

Após um tenso debate interno realizado nesta terça-feira, os integrandes do partido Trabalhista aprovaram por 680 votos a 507 a adesão do bloco à coalizão, que já abriga partidos de direita e extrema direita.

O partido de centro Kadima foi o mais votado nas recentes eleições parlamentares, mas a líder Tzipi Livni se recusou a ingressar na coalizão por divergências políticas com o Likud.

Analistas avaliam que a nova coalizão, cujos líderes já se declararam contra a solução de dois Estados com os palestinos, poderia dificultar um acordo de paz no Oriente Médio e entrar em rota de colisão com o governo americano.

Assentamentos

Correspondentes dizem que Netanyahu deseja contar com a presença dos trabalhistas para combater a impressão de que seu novo governo deve paralisar o processo de paz com os palestinos.

O líder do Likud tem um prazo até 3 de abril para formalizar a nova coalizão.

O ministro da Defesa do atual governo, o líder trabalhista Ehud Barak, manteria o cargo no próximo governo, segundo a rádio do Exército israelense.

De acordo com a proposta de acordo, os trabalhistas também manteriam cinco cargos no governo de Netanyahu.

A rádio israelense relatou ainda que o próximo governo também deve se comprometer em trabalhar contra os assentamentos judaicos na Cisjordânia. Se isso se confirmar, seria uma mudança de posição histórica do líder do Likud.

Acordo

Com o apoio dos trabalhistas, Netanyahu conseguiria 66 cadeiras entre as 120 do Knesset, o Parlamento de Israel.

Mas seis dos 13 parlamentares eleitos pelo partido se declararam contra a aliança com Netanyahu por causa de seu passado de oposição aos esforços de paz que os trabalhistas apoiaram.

"Não tenho medo de Netanyahu", disse Barak na reunião dos trabalhistas. "Não serei uma figura decorativa de ninguém. Seremos a força que impedirá a formação de um governo de extrema direita."

Netanyahu tem se recusado a apoiar a fórmula de dois Estados, ideia que vem norteando as negociações de paz com os palestinos nos últimos 15 anos.

Um membro do Knesset ligado ao Likud, Yuli-Yoel Edelstein, afirmou que já existe um acordo entre seu partido e o partido Trabalhista no que se refere aos principais desafios internacionais do próximo governo.

"Em termos das outras questões, como o processo de paz com os palestinos e provavelmente outras questões do dia a dia, vão ocorrer discussões, mas não será isso que derrubará o governo", disse o parlamentar à BBC.

"Devido a questões práticas, não acredito que nenhum dos dois lados realmente acredite que é possível chegar a um acordo com a atual liderança palestina em um futuro próximo", acrescentou Edelstein.

A expectativa é de que Avigdor Lieberman, líder do partido de extrema direita Israel Beiteinu, ocupe o cargo de ministro das Relações Exteriores no novo governo.

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