Oposição venezuelana declara 'resistência' contra medidas de Chávez

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez (AFP/arquivo)
Image caption Oposição convocou 'rebelião' contra medidas de Chávez

Governadores e prefeitos de oposição na Venezuela se declararam nesta quarta-feira em estado de "resistência" e "emergência" frente à decisão do governo do presidente Hugo Chávez de centralizar a administração de aeroportos e portos do país.

"Esta declaração de emergência é em respeito à Constituição e à soberania popular, que estão querendo burlar", afirmou Pablo Pérez, governador do Estado de Zulia, principal polo petrolífero do país, em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, em Caracas.

Pérez, aliado do atual prefeito de Maracaibo, Manuel Rosales, disse que a oposição realizará protestos nas ruas contra o governo e que o primeiro lugar de "rebelião" será o Estado de Táchira, onde um aeroporto foi ocupado pelo Exército nesta quarta-feira, em cumprimento à Lei de Descentralização, aprovada pelo Congresso. No sábado, os militares intervieram nos aeroportos e portos dos Estados de Zulia e Carabobo, ambos governados por políticos opositores.

"Queremos justiça, queremos que se defendam nossos direitos", afirmou Pérez.

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Disputa por recursos

Os opositores ainda não haviam terminado de falar quando Chávez convocou uma cadeia nacional de rádio e televisão para anunciar, entre outras medidas, um decreto que determina a criação de uma empresa estatal que centralizará a administração aeroportuária e portuária de todo o país.

Chávez alega que, "por razões de segurança nacional", o controle dessas infraestruturas deve ser realizado pelo governo federal, cujo objetivo é "reunificar a pátria, que foi dividida em pedaços".

"Agora temos um desafio, recuperá-los (os aeroportos e portos) para a causa nacional e para acabar (...) com as máfias, ladrões, traficantes, contrabandistas (ali envolvidos)" afirmou Chávez.

A briga entre governo e oposição é uma disputa por poder e recursos.

Com a intervenção do governo central, governadores e prefeitos estão impedidos de recolher os impostos sobre as atividades realizadas nos aeroportos e portos, o que, para a oposição, representa uma tentativa do governo de "asfixiar" a economia das administrações anti-chavistas.

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"Estado paralelo"

Chávez também respondeu ao chamado de "rebelião" de seus adversários e voltou a acusá-los de estarem preparando um plano separatista na região de Zulia e Táchira, localizada na fronteira com a Colômbia, norte do país.

"Há um grupinho de governadores com um plano contrarrevolucionário de secessão, que querem criar um Estado paralelo, e não vamos permitir. Vamos buscar a maneira para acelerar o carro da revolução", afirmou.

"Vocês vão convocar uma rebelião? Convoquem então. Eu sim posso convocar, pitiyanquis (pequenos ianques), burgueses, uma rebelião contra vocês", acrescentou Chávez.

O presidente venezuelano também criticou uma paralisação dos professores que aconteceu nesta quarta-feira, classificando-a como "contrarrevolucionária". Os grevistas reivindicam um novo contrato coletivo para a categoria.

Segundo o ministério de Educação, a paralisação não chegou a afetar 1% das escolas do país.

Companhia aérea

Também nesta quarta-feira, o presidente venezuelano anunciou a intervenção na empresa aérea venezuelana Aeropostal, devido a supostos vínculos da companhia com uma rede de narcotráfico.

"Vamos transformá-la em linha aérea de propriedade social", afirmou Chávez.

Em entrevista ao jornal El Nacional, Humberto Figuera, presidente da Associação das Linhas Aéreas da Venezuela, afirmou que a Aeropostal "está sob um regime especial" de ocupação, até que a investigação sobre os supostos vínculos com o tráfico termine.

A Venezuela é um dos principais corredores do tráfico de drogas da vizinha Colômbia.

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