'Serial killer' procurada por 15 anos na Alemanha pode nunca ter existido

Policiais investigam assassinato na cidade de Heilbronn, na Alemanha, em 2007 (AFP)

Polícia acreditava que mulher poderia estar envolvida em seis assassinatos

A polícia alemã admitiu nesta quinta-feira que uma "criminosa" que estava sendo procurada pelas autoridades há mais de 15 anos pode nunca ter existido.

Conhecida como "a mulher sem face", ela era descrita pela polícia como a "mulher mais perigosa da Alemanha".

Investigações conectavam a mulher a seis assassinatos e uma morte suspeita, com base em traços de DNA encontrados nas cenas dos crimes.

A polícia, no entanto, admitiu agora que os pedaços de algodão usados para coletar as amostras de DNA poderiam estar contaminados por uma mulher inocente.

A contaminação pode ter acontecido durante o processo de fabricação.

A polícia suspeitava que a mulher - cujo nome era ignorado - seria uma "serial killer" que havia matado seis pessoas, entre elas um aposentado, que foi estrangulado.

A suspeita também era conhecida como "o fantasma de Heilbronn", em referência a uma cidade no sul da Alemanha onde ela supostamente teria matado uma policial.

A conclusão de que os crimes teriam sido cometidos por uma serial killer foi baseada em traços idênticos de DNA encontrados em 40 cenas de crimes espalhadas pelo sul da Alemanha e Áustria.

Depois de encontrar o DNA da "suspeita" na cena do assassinato de uma policial de 22 anos, em Heilbronn, em 2007, a polícia ofereceu uma recompensa de 300 mil euros por informações que pudessem levar à sua prisão.

A polícia, no entanto, nunca chegou perto de identificar a suspeita.

Primeiras suspeitas

De acordo com os promotores da cidade de Saarbruecken, as dúvidas a respeito da existência da "assassina fantasma" começaram a ser levantadas quando seu DNA foi encontrado nos documentos de uma pessoa que havia morrido em um incêndio.

Quando a polícia tentou identificar a vítima pela primeira vez, encontrou o DNA da "fantasma" na carteira de identidade da pessoa morta. Em um segundo teste, no entanto, o DNA não foi encontrado no documento.

Foi neste momento que os investigadores começaram a suspeitar que o próprio material que estava sendo usado nos testes poderia estar contaminado.

A polícia do Estado de Baden-Wuerttemberg está investigando agora se os pedaços de algodão usados para coletar as amostras podem ter sido contaminados com DNA antes de serem empacotados.

Milhares de pedaços de algodão estão sendo testados e os trabalhadores das empresas empacotadoras estão fornecendo amostras de DNA para as investigações.

"Muito embaraçoso"

O ministro da Justiça do Estado de Baden-Wuerttemberg, Ulrich Goll, afirmou acreditar que o caso agora foi encerrado. Ele disse que o DNA encontrado nas cenas dos crimes foi provavelmente contaminado na fábrica.

"Isto não deveria ter acontecido", afirmou Goll, em uma entrevista a uma emissora de rádio.

"Os investigadores não podem receber a culpa. Eles não poderiam saber que o algodão estava contaminado".

Já o ministro de Interior do Estado, Heribert Rech, afirmou que prefere esperar que as investigações terminem antes de tirar conclusões.

"Conclusões precipitadas podem levar a enganos", disse.

O presidente do sindicato dos oficiais de polícia de Baden-Wuerttemberg, Josef Schneider, também afirmou que prefere esperar que os resultados das investigações sejam divulgados.

Schneider, no entanto, afirmou que "se o DNA realmente pertencer a uma mulher que trabalha na fábrica, isto vai ser muito embaraçoso".

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