Impeachment de governadores no Brasil é bom sinal, diz 'Economist'

O recente impeachment de dois governadores no Brasil, e os casos pendentes contra outros cinco governadores, indica uma tendência vista como positiva pela revista britânica Economist.

Na edição que chegou às bancas nesta sexta-feira, a revista diz que os casos "provavelmente são um bom sinal".

A revista diz que os casos de afastamento brasileiros chamam muito menos atenção do que o impeachment do governador do Estado americano do Illinois Rod Blagojevich, mas "de repente, parece haver bastante coisa acontecendo".

A revista lembra que até este ano, apenas dois governadores tiveram seus mandatos revogados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 1999, quando foi aprovada a lei proibindo candidatos de usar recursos do governo como "máquina política para sua reeleição".

"Neste ano, no entanto, dois (outros) governadores já foram removidos do cargo por irregularidades na campanha. Há casos pendentes contra outros cinco. Então, até o fim do ano, a corte pode ter afastado sete dos 27 governadores do país", afirma a Economist.

"Isso pode ser interpretado como um terrível ataque do Judiciário contra políticas democráticas, ou como um bem vindo sinal de que as regras há muito ridicularizadas estão finalmente sendo cumpridas."

A revista comenta que, desde o retorno do Brasil à democracia, em 1985, "o TSE se concentrou em garantir que os votos fossem depositados e contados de maneira apropriada".

Agora, de acordo com um consultor ouvido pela Economist, o TSE estaria tentando melhorar a qualidade do voto e combater fraudes e práticas como a de suborno ou compra de votos.

A revista comenta que quase todos os governadores suspeitos vêm do norte ou nordeste, "onde a política lembra Tammany Hall, a lendária máquina política apodrecida de Nova York do século 19".

Mas a Economist afirma que o domínio dos políticos locais já estava se enfraquecendo antes do endurecimento dos tribunais eleitorais.

"A derrota na disputa para o governo da Bahia da família Magalhães em 2006, que era uma das máquinas políticas mais fortes do nordeste, é a mais clara prova disso. A nova assertividade do TSE sugere que os juízes agora estão tentando impulsionar esta tendência, mesmo que os resultados às vezes sejam inadequados."

A Economist comenta que desde a introdução de regras mais duras para os candidatos, centenas de prefeitos foram afastados do cargo, e que, pela lógica, o escrutínio de governadores seria o próximo passo.

"O Brasil já é um bom exemplo para outros países em desenvolvimento sobre como realizar eleições relativamente limpas e ordenadas. Se o TSE continuar a subir seus padrões, os benefícios poderão ser sentidos além de suas fronteiras", conclui a reportagem.