Parlamento de Israel aprova coalizão de Netanyahu

Netanyahu/Getty Images
Image caption Netanyahu já foi premiê de Israel nos anos 90

O parlamento israelense aprovou nesta terça-feira, por 69 votos a 45, a coalizão governista predominantemente de direita liderada por Binyamin Netanyahu.

Antes de ser empossado primeiro-ministro, Netanyahu disse que estes não seriam "tempos normais" e pediu para que os parlamentares confiem nele "nessa hora de crise global".

"Israel enfrenta dois enormes desafios: um econômico e um de segurança. Essas duas crises acontecem em um momento de grandes mudanças internacionais", disse ele.

Irã

Aparentemente referindo-se ao Irã, Netanyahu disse que a maior ameaça para Israel e o mundo "vem da possibilidade de um regime radical equipado com armas nucleares".

O novo premiê disse ser "uma vergonha" que "os apelos feitos por líderes iranianos pela destruição de Israel sejam recebidos com indiferença pelo mundo, sem ser duramente condenados".

O analista de defesa da BBC, Paul Woods, disse que "o maior desafio do novo premiê é decidir se bombardeia ou não o Irã, algo que ele deve decidir em breve".

Netanyahu disse ainda que vai negociar a paz com os palestinos, mas não mencionou a solução, aceita pelo governo anterior, de um Estado palestino.

No passado, Netanyahu havia dito que não via necessidade de um Estado palestino.

Nomeações polêmicas

Cinquenta dias depois das eleições, realizadas no dia 10 de fevereiro, Netanyahu finalizou as negociações para a formação da nova coalizão, formada por partidos de direita, extrema-direita, ultra-ortodoxos e pelo tradicional Partido Trabalhista, de centro-esquerda.

As indicações para os principais cargos no novo governo já foram publicadas e causaram uma série de críticas e protestos.

Uma das nomeações mais polêmicas é a de Avigdor Lieberman, líder do partido de extrema-direita Israel Beiteinu, para o cargo de ministro das Relações Exteriores.

Lieberman, conhecido por suas posições de linha dura, deve ter dificuldades para exercer sua função, tanto no relacionamento com os países árabes como com diversos países ocidentais.

Com o Egito, maior país árabe e principal interlocutor de Israel no mundo árabe, o novo ministro das Relações Exteriores pode ter grandes dificuldades de comunicação, depois de ter afirmado que o presidente egípcio, Hosni Mubarak, "pode ir para o inferno".

Em outra ocasião, Lieberman chegou a sugerir que Israel "bombardeie a barragem de Assuã" (principal barragem do rio Nilo).

Outra nomeação polêmica é a de Yuval Shteinitz, do Likud, para o cargo de ministro das Finanças.

Segundo analistas locais, Shteinitz - formado em filosofia - não tem preparo algum para dirigir a economia de Israel, principalmente em meio à crise econômica global. Para os críticos, Netanyahu o nomeou apenas por ser seu homem de confiança no Likud.

Com as nomeações de Netanyahu, Israel não terá um ministro da Saúde. O encarregado pela pasta da Saúde será Moshe Gafni, do partido ultra-ortodoxo Yahadut Hatorah, com a função de vice-ministro.

O partido, cuja participação no Poder Executivo é subordinada a restrições religiosas determinadas por seus líderes espirituais, só aceita cargos de vice-ministros, que não participam das reuniões do gabinete.

Essas restrições decorrem da visão ambígua de rabinos ultra-ortodoxos sobre a legitimidade do Estado de Israel antes da chegada do messias.

O presidente da Federação dos Médicos de Israel, Yoram Blachar, descreveu a nomeação de Gafni como "escandalosa".

Trabalhistas

O atual ministro da Defesa e líder do Partido Trabalhista, Ehud Barak, vai permanecer no cargo, depois de seu partido assinar um acordo de coalizão com Netanyahu.

A decisão de integrar a coalizão de Netanyahu criou uma cisão no Partido Trabalhista e alguns dos parlamentares do partido já afirmaram que não pretendem apoiar o novo governo.

"Esse é um governo ruim, péssimo, e não pretendo votar em favor dele", disse um dos principais líderes trabalhistas, Ofir Pines, à radio estatal de Israel.

De acordo com Pines, "o Partido Trabalhista está servindo de acessório cosmético para melhorar a imagem do governo de direita de Netanyahu, e a decisão de entrar na coalizão foi um erro grave que pode levar ao fim do partido".

O tamanho do gabinete de Netanyahu também está sofrendo duras críticas.

Depois de criticar o governo de seu antecessor, Ehud Olmert - que tinha 25 ministros - de ser um governo "inflado e esbanjador", e depois de defender a criação de um governo "enxuto, de, no máximo, 18 ministros", Netanyahu acabou formando o maior governo da história de Israel, com 30 ministros e sete vice-ministros.

Nos últimos dias, discursos anteriores de Netanyahu, defendendo a formação de um governo "econômico", têm sido transmitidos frequentemente pela imprensa israelense como uma forma de ironizar a nova coalizão.

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