Netanyahu apresenta novo governo ao Parlamento de Israel

Binyamin Netanyahu (arquivo)
Image caption Binyamin Netanyahu já liderou governo de Israel na década de 90

O primeiro-ministro designado de Israel, Binyamin Netanyahu, apresentou ao Parlamento na noite desta terça feira a nova coalizão governamental, formada por partidos de direita, extrema-direita, ultra-ortodoxos e pelo Partido Trabalhista.

Cinquenta dias depois das eleições, realizadas no dia 10 de fevereiro, Netanyahu finalizou as negociações para a formação da nova coalizão. As indicações para os principais cargos no novo governo já foram publicadas e causaram uma série de críticas e protestos.

Uma das nomeações mais polêmicas é a de Avigdor Lieberman, líder do partido de extrema-direita Israel Beiteinu, para o cargo de ministro das Relações Exteriores.

Lieberman, conhecido por suas posições de linha dura, terá dificuldades de exercer sua função, tanto no relacionamento com os países árabes como com diversos países ocidentais.

Com o Egito, maior país árabe e principal interlocutor de Israel no mundo árabe, o novo ministro das Relações Exteriores terá dificuldades de comunicação, depois de ter afirmado que o presidente egípcio Hosni Mubarak "pode ir para o inferno". Em outra ocasião, Lieberman chegou a sugerir que Israel "bombardeie a barragem de Assuã" (principal barragem do rio Nilo).

Outra nomeação polêmica é a de Yuval Shteinitz, do Likud, para o cargo de ministro das Finanças.

Segundo analistas locais, Shteinitz - formado em filosofia - não tem preparo algum para dirigir a economia de Israel, principalmente em meio à crise econômica global, e Netanyahu o nomeou apenas por ser seu homem de confiança no Likud.

Trabalhistas

O atual ministro da Defesa e líder do Partido Trabalhista, Ehud Barak, vai permanecer no cargo, depois de seu partido assinar um acordo de coalizão com Netanyahu.

Segundo o acordo com os trabalhistas, a nova coalizão deverá "buscar a paz com os palestinos", porém, a formula básica do processo de paz, que é a solução de dois Estados, não vai constar do programa de governo.

A decisão de integrar a coalizão de Netanyahu criou uma cisão no Partido Trabalhista e alguns dos parlamentares do partido já afirmaram que não pretendem apoiar o novo governo.

"Esse é um governo ruim, péssimo, e não pretendo votar em favor dele", disse um dos principais líderes trabalhistas, Ofir Pines, à radio estatal de Israel.

De acordo com Pines, "o Partido Trabalhista está servindo de acessório cosmético para melhorar a imagem do governo de direita de Netanyahu, e a decisão de entrar na coalizão foi um erro grave que pode levar ao fim do partido".

Saúde

Com as nomeações de Netanyahu, Israel não terá um ministro da Saúde. O encarregado pela pasta da Saúde será Moshe Gafni, do partido ultra-ortodoxo Yahadut Hatorah, com a função de vice-ministro.

O partido, cuja participação no Poder Executivo é subordinada a restrições religiosas determinadas por seus líderes espirituais, só aceita cargos de vice-ministros, que não participam das reuniões do gabinete.

Essas restrições decorrem da visão ambígua de rabinos ultra-ortodoxos sobre a legitimidade do Estado de Israel antes da chegada do Messias.

O presidente da Federação dos Médicos de Israel, Yoram Blachar, descreveu a nomeação de Gafni como "escandalosa".

"A nomeação é puramente política, sem nenhum critério profissional", afirmou Blachar. "O sistema de saúde, que sofre de problemas graves, precisa de um ministro profissional, em tempo integral."

"É uma vergonha para a nação que o ministério que cuida da principal necessidade dos cidadãos, que é a saúde, com um orçamento de bilhões, seja liderado pelo vice-ministro Moshe Gafni", acrescentou.

Tamanho

O tamanho do gabinete de Netanyahu também está sofrendo duras críticas.

Depois de criticar o governo de seu antecessor, Ehud Olmert, que tinha 25 ministros, de ser um governo "inflado e esbanjador", e depois de defender a criação de um governo "enxuto, de, no máximo, 18 ministros", Netanyahu acabou formando o maior governo da história de Israel, com 30 ministros e sete vice-ministros.

Nos últimos dias, discursos anteriores de Netanyahu, defendendo a formação de um governo "econômico", têm sido transmitidos frequentemente pela imprensa israelense como uma forma de ironizar a nova coalizão.