Partido diz que líder de oposição a Chávez buscou refúgio no interior do país

Manuel Rosales
Image caption Se condenado, Rosales pode ser condenado a dez anos por corrupção

O líder de oposição na Venezuela Manuel Rosales buscou refúgio no interior do país, alegando ser vítima de perseguição por parte do governo, disse nesta terça-feira o presidente de seu partido.

Segundo Omar Barboza, Rosales, que é prefeito da cidade de Maracaibo, está "protegido" no Estado de Zulia, após o Ministério Público ter pedido sua prisão por corrupção.

A informação contradiz uma denúncia do deputado governista Carlos Escarrá, que afirmou na segunda-feira ter informações de que Rosales teria fugido para o Panamá.

"É totalmente falso que Manuel Rosales tenha saído da Venezuela (...), mas, obviamente, não se entregará à manada que o persegue sem que exista a possibilidade de um julgamento justo ", afirmou Barboza, presidente do Partido Um Novo Tempo, em uma entrevista coletiva.

Omar Barboza disse que Rosales "se dispõe a enfrentar a acusação", mas, a seu ver, os mecanismos de defesa estão sendo "controlados" pelo governo do presidente Hugo Chávez.

Sentença No dia 19, o Ministério Público do Estado de Zulia pediu a prisão do dirigente opositor, acusando-o de enriquecimento ilícito durante sua gestão à frente do governo estadual.

O julgamento de Rosales, ainda sem data marcada, será realizado pelo Supremo Tribunal de Justiça, em Caracas.

Caso de seja condenado, Rosales pode pegar pena de três a dez anos de prisão, conforme prevê a Lei Anticorrupção.

Por enquanto, o partido de Rosales ainda não decidiu quem assumirá a prefeitura de Maracaibo, a segunda maior cidade do país. Rosales foi eleito no ano passado.

Grampo

As acusações contra Manuel Rosales, ex-candidato à Presidência venezuelana, vieram à tona durante a campanha para eleições municipais e estaduais, em 2008.

Na época, em um comício em Zulia, Chávez chamou Rosales de "corrupto", "golpista" e "mafioso" e disse que o ex-governador deveria ser preso.

Poucos dias depois, as acusações de desvio de dinheiro público foram veiculadas pelo canal de TV estatal VTV, que transmitiu o áudio de um grampo telefônico, realizado pelo serviço de inteligência do país, em que Rosales discute com sua secretária a compra de relógios caros que seriam dados de presente a diretores de jornais.

Outra gravação revelou uma conversa de Rosales negociando a compra de gado e realizando transações bancárias em uma conta em Miami.

A gravação sugere que o governador teria utilizado verbas públicas para a aquisição de seu patrimônio.

Essa é a base da acusação do Ministério Público, que alega que, entre os anos de 2002 e 2004, Rosales não conseguiu provar à Controladoria-Geral da República a aquisição de seu patrimônio.

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