EUA buscam evitar nova 'década perdida' nas relações com a América Latina

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (AP)
Image caption Embaixador diz que Obama irá à Cúpula com 'espírito aberto'

O embaixador Jeffrey Davidow, enviado especial do governo americano à Cúpula das Américas - que acontece entre 17 e 19 de abril em Trinidad e Tobago - afirmou que os Estados Unidos querem evitar uma nova "década perdida" nas relações com a América Latina e que o país usará o encontro para reforçar essa mensagem.

Os comentários de Davidow, que serviu como embaixador americano no México e na Venezuela, foram feitos no evento "Cúpula das Américas: Perspectivas e Possibilidades", realizado nesta terça-feira na sede do centro de pesquisas Council of the Americas, em Washington.

"Um dos temas que surge em todas as conversas com líderes da região é o temor de que a atual crise econômica internacional provoque uma nova década perdida. Esta será não apenas a espinha dorsal da conferência, mas também o tema de maior interesse", afirmou.

Segundo Davidow, o presidente Barack Obama irá ao encontro com "espírito aberto" e com vontade de "dar um 'reset' (reiniciar) nas relações com o continente".

O embaixador destacou que o encontro se dará pouco após a reunião do G20, que acontece nesta quinta-feira, em Londres, e que cinco dos participantes da reunião também estarão em Trinidad e Tobago: Estados Unidos, México, Canadá, Brasil e Argentina.

De acordo com Davidow, uma das propostas que os americanos levarão a Londres e Trinidad Tobago é a de injetar mais recursos em organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

"Geometria variável"

O representante americano também afirmou que Obama procurará frisar a mensagem de que abraçar o protecionismo seria a maneira errada de contornar a crise financeira.

Davidow destacou ainda que a cúpula servirá para que as diferentes nações possam compartilhar experiências em empreendimentos que estão tendo êxito em seus países, como programas condicionais de transferência de renda - como o Bolsa Família e o mexicano Oportunidades - ou de biocombustíveis - como a parceria entre Brasil e Estados Unidos para a produção de etanol em outros países.

Para o embaixador, "em vez de buscar uma grande parceria, na qual todos têm de marchar no mesmo ritmo, ao mesmo tempo, a coisa deveria se dar mais na linha do jargão da moda em Washington: geometria variável".

O conceito é de que se um país identifica interesse de outra nação em atuar em uma mesma área, as duas nações podem buscar uma negociação direta, sem esperar o engajamento de outros países ou um passo inicial por parte dos Estados Unidos.

A mensagem, diz Davidow, é "vamos trabalhar juntos, sem que os Estados Unidos tenham que assumir a liderança ou sem que haja a necessidade de se criar um consórcio com uma dúzia de nações".

Última cúpula

De acordo com o embaixador, nos últimos anos, o status dos Estados Unidos no continente americano ''não foi dos melhores'' e a última Cúpula das Américas, realizada em Mar del Plata, na Argentina, em 2005, esteve longe de ser "um ponto alto em termos de diplomacia".

A última versão do encontro foi marcada por fortes protestos de rua contra a presença do ex-presidente americano George W. Bush, e pelas divergências entre americanos de um lado e brasileiros e argentinos de outro.

Os Estados Unidos pressionaram, sem sucesso, pela ampliação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), mas os sul-americanos emperraram a negociação, se recusando a negociar um acordo enquanto os americanos não limitassem os subsídios que ofereciam à sua indústria agrícola.

Notícias relacionadas