Espanha inclui cobrador de dívida e tosador de cão em lista de emprego para imigrante

Cão tomando banho (arquivo)
Image caption Espanhóis não querem cuidar de cães ou cobrar dívidas

Apesar de ter a taxa de desemprego mais alta da União Europeia (15,5%), ainda há empregos que os espanhóis não querem aceitar. Na lista do Instituto Nacional do Emprego divulgada nesta quinta-feira , são oferecidos à imigrantes, pela primeira vez, vagas de cobrador de dívida e tosador de cães.

A lista trimestral oferece 727 vagas no "catálogo de ocupações de difícil cobertura", designação dada pelo governo à listagem dos 672 empregos que quase ninguém quer.

A relação inclui profissões que ao menos há seis meses estão sem ser preenchidos por trabalhadores locais.

Essa falta de candidatos levou o Ministério do Trabalho e Imigração a oferecer os empregos a estrangeiros.

Imigrantes com documentação legal na Espanha ou que querem vir ao país para trabalhar, tem opções como pastores de ovelhas, sapateiros, tratoristas, terapeutas ocupacionais, dançarinos de baile de salão e cuidadores de gado e de porcos.

As últimas entradas nessa lista foram os empregos de tosador de cães e de cavalos e de cobrador de faturas, dívidas, apostas e aluguéis - emprego em que houve um considerável aumento de vagas desde o início da crise.

Flexibilidade

A abertura das vagas para os imigrantes vai contra a tendência no mercado de trabalho esperada pelo governo, a de que essas vagas no "catálogo de ocupações de difícil cobertura" fossem ocupadas por espanhóis desempregados.

Neste sentido, o governo chegou a introduzir restrições na chamada lei que regulamenta a contratação de estrangeiros nos seus países de origem.

Desde o final de 2008, os empresários locais não podem mais oferecer contratos de trabalho para estrangeiros sem autorização expressa do Ministério.

Segundo o ministro Celestino Corbacho, quando defendeu a normativa no Parlamento, "a contratação de estrangeiros em 2009 deveria ser 0%" devido ao alto índice de desemprego no país.

Antes dessa lei, os empresários esperavam um mês para encontrar um trabalhador. Na falta de candidatos espanhóis, poderiam contratar um imigrante que já entrava na Espanha com documentação para trabalho e residência.

O sistema permitiu a contratação de 221.659 mil trabalhadores estrangeiros no país em 2007 e 88.180 mil em 2008.

Os brasileiros ocuparam 274 dessas vagas em 2007 e 78 no ano passado, segundo dados do ministério do Trabalho e Imigração.

Depois das restrições introduzidas na legislação, a oferta para imigrantes caiu 64%. A lista de empregos para estrangeiros (catálogo de difícil cobertura) de janeiro de 2009 incluía apenas vagas para a Marinha Mercante e para os técnicos desportivos e atletas, visando as necessidades dos clubes de futebol.

As ocupações na Marinha continuam sendo as mais numerosas, já que concentram 450 das 672 funções disponíveis na lista.

Entre as ofertas (válidas para os meses de abril, maio e junho) há vagas para 58 médicos e 15 engenheiros, mas os diplomas devem ser reconhecidos pelas autoridades educativas e sindicatos da União Europeia.

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