Lula diz querer ser 1º presidente do Brasil a emprestar ao FMI

O presidente Lulz Inácio Lula da Silva em Londres, nesta quinta-feira (foto: Ricardo Stuckert/PR)
Image caption Lula não revelou montante que pode ser destinado ao FMI

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, após a cúpula do G20, que pretende entrar para a história como o primeiro presidente brasileiro que emprestou dinheiro para o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na reunião em Londres, Lula e os demais líderes do G20 chegaram a um acordo para que US$ 1,1 trilhão sejam usados para combater a crise financeira global. A maior parte do dinheiro deve ser destinada ao Fundo.

Leia mais na BBC Brasil: G20 anuncia investimento de US$ 1,1 tri para 'encurtar recessão'

Em entrevista coletiva, Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não revelaram o valor que o Brasil vai destinar ao órgão internacional de crédito.

Segundo eles, o Brasil está em negociação com o FMI para que o dinheiro para o Fundo seja na forma de um empréstimo, para que as reservas do país não diminuam. "Vocês não acham chique emprestar dinheiro para o FMI? O Brasil hoje tem solidez", afirmou o presidente.

Momento "inédito"

Lula descreveu a cúpula do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo e os principais países emergentes, como um momento muito importante para o futuro da humanidade.

"Pela primeira vez, os países chamados desenvolvidos se colocaram em pé de igualdade com os que estão em desenvolvimento", afirmou.

O presidente acrescentou que houve "momentos de tensão e discussões calorosas" durante a cúpula, mas que os líderes do G20 conseguiram chegar a um consenso.

"Essa foi a reunião de que eu mais saí gratificado pelo fato de que as pessoas compreenderam que o momento é de prudência e ousadia política", completou Lula.

Doha

Lula afirmou que os líderes do G20 assumiram durante a cúpula a "responsabilidade de decidir a rodada de Doha".

Para ele, os chefes de Estado compreenderam que o desfecho da rodada "é um sinal muito forte para melhorar os efeitos da crise".

"Uma coisa que eu venho tentando há quatro anos aconteceu hoje. Passar a discussão da rodada de Doha para os líderes políticos, e não para os técnicos", afirmou o presidente.

Lula voltou a insistir na necessidade de restabelecer o fluxo de crédito internacional para que os países possam restabelecer o fluxo de suas balanças comerciais.

"Cassius Clay da crise"

O presidente disse ainda que as decisões tomadas pelo G20 terão um impacto positivo na economia do Brasil, mas não se arriscou a fazer previsões sobre o desempenho da economia brasileira em 2009.

Ele rejeitou as projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que indicam uma queda de 0,3% no PIB brasileiro este ano, dizendo estar "mais otimista" do que a organização.

"Acho que a OCDE exagerou nas previsões sobre a retração da economia para 2009", disse Lula.

"Creio que o Brasil vive um momento otimista. Vou continuar passando otimismo. Crise a gente enfrenta lutando".

O presidente afirmou ainda querer ser o "Cassius Clay da crise", em uma alusão ao lutador de boxe que, após a conversão ao islamismo, passou a se chamar Muhammad Ali. "Eu não tenho medo de cara feia. Imagina se o Cassius Clay tivesse medo de cara feia. O (George) Foreman teria nocauteado ele naquela luta que eles fizeram no Zaire. Entretanto, depois de apanhar por doze assaltos, ele meteu a muqueta e derrubou o cara. Eu me considero o Cassius Clay nessa crise", disse.

Nesta sexta-feira, o presidente faz uma visita às obras do Parque Olímpico de Londres, sede dos jogos de 2012, acompanhado do governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho.

No início da tarde, Lula volta a Brasília.

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