Justiça espanhola obriga pai a levar filho a procissões da Páscoa

Procissão em Sevilha
Image caption Procissões são muito tradicionais em toda a Espanha durante a Semana Santa

A Justiça espanhola obrigou um pai divorciado a levar o filho às procissões da Semana Santa.

A sentença é a resposta ao processo judicial da mãe, católica, que levou o ex-marido aos tribunais porque ele se recusava a ir com a criança aos eventos religiosos.

A disputa foi parar na Justiça quando ficou decidido que o menino de 10 anos ficaria com o pai, Vicente Sanz, durante o feriado da Páscoa.

A mãe, Barbara Campos, alegou que o filho nunca tinha perdido uma procissão na cidade de Elche, no sudeste da Espanha, e mantinha vaga e uniforme tradicional de nazareno na procissão da Confraria da Negação de São Pedro, que sai na Sexta-Feira Santa.

A sentença publicada no Boletim Oficial de Elche entra em vigor nesta quinta-feira e indica que "a decisão foi tomada considerando o bem superior da criança."

Para a juíza do Tribunal de Pequenas Causas, Sandra Peinado, o pai "tem que cumprir a tradição, garantindo ao menor o direito de ir aos eventos onde o lugar dele está reservado porque vinha participando há anos".

'Indignado'

O pai disse à imprensa espanhola que se sente "indignado" porque em 47 anos nunca lhe haviam obrigado a assistir uma procissão.

Sanz comentou ainda que nunca se incomodou com a participação do filho em eventos religiosos. Não me oponho a ida dele. Sempre foi e nunca brigamos por isso. O absurdo é que me forcem a fazer uma coisa que não quero. Nem quando era criança me obrigaram."

A sentença não prevê punições (multas ou detenção) em caso de descumprimento da ordem judicial. Mas permite à mãe o direito de denunciar o ex-marido se o filho não comparecer às procissões.

A mesma juíza Sandra Peinado já tinha sido notícia na imprensa espanhola por outra sentença polêmica: estabeleceu um sistema de custódia compartilhada de um cachorro para um casal recém-divorciado.