Gordura ‘boa’ de bebê mantém adultos magros

Adultos que retêm um tipo de gordura que bebês possuem, considerada uma gordura "boa", podem estar protegidos contra obesidade e diabetes do tipo 2 - de acordo com cientistas americanos.

Ao contrário da gordura branca comum, que armazena energia, a gordura marrom, a "boa'" queima calorias para produzir calor.

Acreditava-se, no entanto, que a ela estava presente no organismo apenas durante a infância.

Os pesquisadores do Joslin Diabetes Center, em Boston, nos Estados Unidos, verificaram não apenas que alguns adultos possuem esse tipo de gordura, mas também que adultos magros apresentam maiores quantidades da gordura marrom do que os mais obesos.

As revelações, publicadas na revista científica New England Journal of Medicine, podem ser úteis na criação de futuros tratamentos.

Segundo os pesquisadores, um dia talvez seja possível estimular a formação de gordura marrom no organismo para controlar o peso e melhorar o metabolismo da glicose, evitando a obesidade e a diabetes do tipo 2.

Pescoço

No estudo, que teve a participação de cerca de 2 mil pacientes, os cientistas americanos encontraram indícios da presença da gordura marrom em 7,5% das mulheres e 3% dos homens.

Os pesquisadores identificaram ainda outros 33 pacientes cujos registros clínicos indicaram a presença da gordura marrom.

As maiores concentrações da substância em adultos tendem a ser localizadas na região do pescoço.

Quando analisaram amostras de tecido de dois desses pacientes, os cientistas detectaram a presença de uma proteína capaz de gerar calor conhecida como UCP-1, que é encontrada apenas na gordura marrom.

Embora os números de pacientes com gordura marrom identificados nesse estudo sejam pequenos, os cientistas acreditam que os índices sejam maiores, já que menores quantidades de gordura marrom ou de gordura marrom menos ativa podem passar desapercebidas nos exames.

Os americanos acreditam, na verdade, que a maioria dos adultos possui gordura marrom em alguma quantidade, mas as concentrações dependem de alguns fatores, entre eles, o peso da pessoa.

O estudo revelou que pacientes mais jovens tendem a ter maiores quantidades de gordura marrom. E que a substância fica mais ativa em temperaturas mais baixas, o que confirma seu papel de queimar energia para gerar calor.

Glicose

A gordura marrom também é mais comum em adultos magros e com níveis normais de glicose no sangue - o estudo revelou.

Isto, segundo os pesquisadores, indica que ela desempenha um papel importante no controle do peso e que índices mais altos de gordura marrom podem proteger contra a obesidade.

"Há muito se debate se a gordura marrom existe em adultos humanos e se ela é importante fisiologicamente", disse o pesquisador Ronald Kahn.

"Esse estudo demonstra que ela está presente e parece ser fisiologicamente importante em termos do peso e do metabolismo da glicose".

"Nós esperamos que isso abra um novo campo terapêutico para a obesidade e para a diabetes do tipo 2, a partir de uma modificação na atividade da gordura marrom".

A equipe de Kahn já mostrou que uma proteína chamada BMP-7, conhecida por seu papel na indução do crescimento do osso, também pode ajudar a promover o desenvolvimento de gordura marrom em roedores.

Comentando o estudo, John Wilding, da Liverpool University, na Inglaterra, disse que "a pesquisa é interessante, mas não vai criar uma pílula milagrosa para a obesidade".

"Mesmo se pudermos ativar a produção de gordura marrom, o que ainda está bastante distante, é provável que os efeitos sejam modestos".