Tire suas dúvidas sobre a pirataria na costa da Somália

Piratas capturados por patrulha
Image caption Patrulhamento aumentou, mas área de atuação dos piratas também

As recentes capturas de navios de grande porte por piratas da Somália chamaram a atenção para o problema que atinge a região conhecida como Chifre da África.

Desde o sequestro de um petroleiro saudita em novembro do ano passado, que durou dois meses, as Marinhas de vários países estão deslocando forças para o local.

Trata-se de uma das mais importantes vias de navegação do mundo e também a mais perigosa, com 30% de todos os ataques de piratas do planeta.

Como os piratas capturam os navios?

Os piratas são muito eficientes

no que fazem.

Eles administram operações sofisticadas, usando os mais modernos equipamentos de alta tecnologia, como telefones por satélite e aparelhos de GPS.

Eles também possuem armamentos como lança-granadas e rifles AK-47, e contam com a ajuda de contatos posicionados em portos do Golfo de Áden (entre a Somália e o Iêmen), que os avisam sobre a movimentação dos navios.

Os piratas usam lanchas com motores potentes para se aproximarem de seu alvo. Às vezes, essas lanchas são lançadas de embarcações maiores posicionadas em alto mar.

Para se apoderarem dos navios, os piratas primeiro usam ganchos e barras de ferro - alguns também disparados por armas - e sobem até o convés usando cordas e escadas. Em algumas ocasiões, eles disparam contra os navios para forçá-los a parar, o que facilita sua tomada.

Os piratas então conduzem a embarcação capturada até o porto de Eyl, na Somália, o centro das operações da pirataria. Ali, eles geralmente desembarcam os reféns, que são mantidos até o pagamento de um resgate.

Por que não se consegue conter os piratas?

Navios de guerra de pelo menos nove países estão atualmente operando no Golfo de Áden e nas águas fora da costa da Somália, mas isso pode ter apenas deslocado o problema.

O navio Sirius Star, capturado em novembro, estava a uma boa distância ao sul da costa somáli quando foi pego. A área na mira dos piratas agora inclui quase 25% da superfície do Oceano Índico, tornando o patrulhamento virtualmente impossível. O Bureau Marítimo Internacional está aconselhando os donos das embarcações a adotar medidas como ter vigias e navegar a uma velocidade que os permita deixar os piratas para trás.

Entretanto, os piratas se deslocam extremamente rápido e, em geral, à noite. Portanto, muitas vezes é tarde demais para a tripulação se dar conta do que está ocorrendo.

Uma vez que os piratas tenham assumido o controle de um navio, a intervenção militar fica difícil por causa dos reféns a bordo.

Não existe uma legislação internacional para os acusados de pirataria, apensar de muitos terem sido julgados no Quênia, enquanto outros presos por militares franceses estão respondendo a julgamento na França.

Alguns diplomatas argumentam que é necessária uma corte internacional para esse tipo de crime, que tenha o apoio da ONU e, além de uma prisão internacional para os condenados.

Em meados de dezembro passado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução autorizando os países a perseguir os piratas somális também em terra - uma extensão para a permissão que os países já têm para entrar em águas territoriais somális para perseguir os piratas.

Mas enquanto a Somália não tiver um governo efetivo, muitos acreditam que a "vida sem lei" que impera no país e em suas águas só tende a crescer.

Por que os piratas cometem esses crimes?

Por dinheiro.

Os piratas tratam os navios, sua carga e seus tripulantes como reféns e exigem o pagamento de um resgate.

O dinheiro que recebem é muito em um país onde não há emprego e onde quase metade da população precisa de alimentos, depois de 17 anos de vários conflitos civis.

O Ministério das Relações Exteriores do Quênia estima que os piratas tenham faturado US$ 150 milhões no ano passado com o pagamento de resgates.

Eles usam parte do dinheiro para custear novos sequestros, comprando mais armas e lanchas.

Como a pirataria afeta as pessoas fora da Somália?

Além dos prejuízos diretos para os envolvidos na indústria da navegação, o principal resultado é o encarecimento do frete com consequente aumento do preço das mercadorias transportadas.

As empresas de transporte de carga passam adiante os custos de segurança, seguro, recompensa e combustível extra. Por fim, esse aumento chega ao consumidor comum.

Estima-se que em 2008 a pirataria tenha custado entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões em 2008.

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