Refém de piratas somalis 'tentou escapar''

Richard Phillips
Image caption Richard Phillips e seus captores estão a bordo de um bote salva-vidas

O capitão americano que é mantido como refém por piratas da Somália tentou fugir dos sequestradores durante a madrugada desta sexta-feira.

De acordo com meios de comunicação nos Estados Unidos, Richard Phillips, que está em um bote salva-vidas com os piratas na costa somali, conseguiu lançar-se ao mar mas foi recapturado.

A tentativa de fuga foi observada de um navio da Marinha americana que está nas proximidades mas a recaptura foi rápida demais para que seus tripulantes resgatassem Phillips.

Segundo testemunhas, ele foi capturado na quarta-feira por piratas que tentaram sequestrar o cargueiro que ele comandava, o Maersk Alabama. Os piratas tentaram assumir o controle do navio, que levava ajuda alimentícia para Uganda e Somália, mas enfrentaram resistência da tripulação.

A família do capitão afirma, contudo, que ele se ofereceu como refém em troca da libertação dos marinheiros.

Navios de guerra

Os Estados Unidos enviaram navios de guerra à costa da Somália para combater piratas.

O chefe do Comando Central militar dos Estados Unidos, general David Petraeus, disse que os reforços - que seriam dois navios de guerra - devem chegar à região em um prazo de 24 a 48 horas. Segundo ele, já há um destróier bem próximo do bote salva-vidas onde está o capitão Richard Phillips.

Acredita-se que existam quatro piratas no bote junto com o americano e suas exigências não ficaram claras. O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, disse em Washington que a libertação do capitão "é uma prioridade".

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, qualificou os piratas como "nada mais do que criminosos".

Negociações

Analistas dizem que as negociações para a libertação de Phillips podem ser longas e é possível que os piratas exijam uma grande quantia de resgate, além de indenização por um outro barco que foi afundado durante o ataque.

Calcula-se também que o bote esteja equipado com mantimentos para uma semana, embora marinheiros do Maersk Alabama digam que os sequestradores estariam sem combustível.

O Maersk Alabama seguiu para o porto de Mombassa, no Quênia, sob escolta armada.

Nos últimos anos, aumentaram os ataques de piratas na área que vai do norte da costa do Quênia, da Somália, Iêmen e o Golfo do Áden, uma das principais rotas comerciais do mundo, que une a Europa e a Ásia.

Mais de 130 foram registrados em 2008, incluindo mais de 50 sequestros.

Os piratas normalmente liberam os navios e suas tripulações depois do pagamento de altos resgates pelas empresas de transportes marítimos.

Calcula-se que, apenas no ano passado, tenham sido pagos mais de US$ 80 milhões em resgates.