Morales entra em segundo dia de greve de fome

O presidente da Bolívia, Evo Morales
Image caption Evo Morales pressiona Congresso a aprovar lei que antecipa eleições

O presidente da Bolívia, Evo Morales, entrou nesta sexta-feira em seu segundo dia de greve de fome e afirmou que não vai suspender o protesto até que o Congresso Nacional aprove a nova lei eleitoral do país, que prevê a realização de eleições antecipadas para presidente, vice-presidente e legisladores no dia 6 de dezembro.

"Só terminarei esta greve de fome quando a lei for aprovada. Devem estar achando que eu vou cansar. Mas uma vez (em 2002, quando era parlamentar) fiz greve de fome durante 18 dias", disse Morales, segundo a Rádio Fides.

Neste segundo dia de protesto, o presidente boliviano foi fotografado deitado, com um cobertor sobre as pernas, em um dos salões do palácio presidencial Queimado, em La Paz, onde realiza a manifestação ao lado de representantes da Central Operária Boliviana (COB) e do Conselho Nacional pela Mudança (Conalcam, na sigla em espanhol).

Para Morales, a oposição é "insensível", por não entender a demanda popular a favor da lei, prevista na nova Constituição ratificada em referendo popular em janeiro.

"Foi um pedido do povo para aprofundar a democracia. Lamento que a insensível oposição não entenda esse pedido popular", disse o presidente, segundo a Agência Boliviana de Informação (ABI, que é oficial).

Morales afirmou que a greve de fome é "importante" para "defender a democracia" e para que a Carta Magna seja respeitada.

Em declarações à imprensa local, Morales pediu às várias pessoas na Bolívia que estão fazendo greve de fome em apoio a ele que suspendam esse tipo de protesto.

"Temos o apoio de centenas de bolivianos que estão fazendo greve de fome em todo o país, inclusive em Santa Cruz, sempre definido como lugar da oposição", disse o ministro de governo, Alfredo Rada, em entrevista à emissora Telesul.

O número de apoiadores, segundo Morales, já passaria de mil. "Por favor, suspendam o protesto. Passem este feriado de Semana Santa em paz com suas famílias e na segunda-feira sim, retomem a manifestação", disse o presidente.

Impasse

O prazo de 60 dias para a aprovação da lei eleitoral, previsto na nova Constituição, venceu na quinta-feira.

Essa nova legislação, chamada de Lei Transitória do Regime Eleitoral, já foi aprovada na Câmara dos Deputados, onde o governo tem maioria, mas o texto foi modificado no Senado, controlado pela oposição.

Na quinta-feira, quando Morales já completava cerca de oito horas de greve de fome e após troca de insultos entre os senadores, o texto geral do projeto foi aprovado.

Segundo o jornal La Razón, enquanto a oposição se reunia, o vice-presidente boliviano, Alvaro García Linera, que também é presidente do Congresso, colocou o projeto em votação. A aprovação ocorreu, assim, sem a presença dos opositores, apenas com o voto dos governistas e de dissidentes.

Logo depois, na hora da votação dos artigos separadamente, os opositores se retiraram do Plenário em protesto contra essa manobra, levando à suspensão das discussões.

Até esta sexta-feira, segundo a imprensa local, ainda não havia sinais de entendimento para que os debates fossem retomados.

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