Brasileiro pode ser extraditado do Chade ‘semana que vem’

Image caption O legionário participava de uma missão no Chade

O legionário brasileiro acusado de matar quatro pessoas no Chade, detido atualmente em uma delegacia no leste do país, "poderá ser entregue à força europeia que atua no Chade, a Eufor, no início da próxima semana" para ser transferido à França, disse em entrevista neste sábado à BBC Brasil, o comandante Hamid Wardogou Dry, chefe da delegacia da polícia militar em Abéché, onde o soldado Josafá de Moura Pereira está detido desde a última quinta-feira.

O Exército francês estima que após ser entregue à Eufor no Chade, a transferência do brasileiro para a França deverá ocorrer rapidamente. Segundo o comandante, as autoridades do Chade "aguardam que a França assuma o compromisso de indenizar a família do camponês chadiano", morto durante a fuga do legionário brasileiro.

"Nós vamos entregá-lo à Eufor sem problemas. Só aguardamos que a França assuma a indenização da família do camponês", afirmou Wardogou Dry.

De acordo com ele, "um comitê de parentes do camponês chadiano está reunido para determinar o valor da indenização que a França deverá pagar à família" como compensação pela morte.

"Aguardamos que a família decida o valor da indenização. Ela vai tentar encontrar uma solução ao problema. Nenhum montante foi fixado ainda", disse o comandante.

Acordo internacional

A possibilidade de o brasileiro não ser julgado pela Justiça do Chade pelos crimes ocorridos no país pode ser explicada pelo fato de que há um acordo, segundo o Exército francês, entre a União Europeia e o Chade sobre o estatuto das tropas que atuam no país.

O acordo prevê que são os tribunais do país da nacionalidade do soldado que têm prioridade para julgar as ações. O Exército francês afirma que o brasileiro estava servindo sob a bandeira da França e que, por essa razão, ele é considerado francês.

Além do camponês chadiano, Pereira é acusado de ter matado, na terça-feira, dois legionários, de origem romena e da Guiné, e um soldado togolês, que atuava na missão da ONU no Chade.

O comandante Wardogou Dry afirmou que o legionário brasileiro continua sendo interrogado na delegacia em Abéché.

'Loucura'

O militar chadiano não quis se pronunciar sobre os comentários do brasileiro feitos no interrogatório em relação às mortes dos três soldados, mas afirmou que Pereira teria matado o camponês chadiano porque "ele se recusou a vender seu cavalo e seu turbante e ainda tentou barrar o seu caminho".

O Exército francês avalia que os assassinatos são devidos "a um acesso de loucura" do soldado.

Na única entrevista concedida até o momento, ao jornalista Gamarga Bakoumi, do jornal chadiano Le Progrès, o soldado brasileiro teria explicado seus crimes alegando "estar cansado da provocação constante dos dois legionários que ele matou".

Segundo o jornal, Pereira afirmou "nunca ter visto antes o soldado togolês" da missão da ONU, a Minurcat, que também foi assassinado.

O jornal conta ainda que o brasileiro, após os crimes, escondeu seu fuzil e decidiu voltar a Abéché, "disfarçado" com roupas de civil.

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