Conselho de Segurança da ONU condena lançamento de foguete norte-coreano

Membros do Conselho de Segurança da ONU reunidos nesta segunda-feira (AFP)
Image caption Conselho de Segurança quer reforçar sanções contra Pyongyang

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou de modo unânime, nesta segunda-feira, o lançamento de um foguete, no último dia 5 de abril, pelo governo da Coreia do Norte.

Em um comunicado conjunto, os 15 membros do Conselho de Segurança afirmaram ainda que irão reforçar as sanções contra a Coreia do Norte por causa do lançamento - que EUA, Japão e Coreia do Sul suspeitam que, na verdade, tenha sido o teste de um míssil de longo-alcance.

O governo de Pyongyang, no entanto, afirma que o lançamento tinha "fins pacíficos" e que o foguete carregava um satélite de telecomunicações.

"O Conselho de Segurança condena o lançamento da República Democrática Popular da Coreia do Norte, que transgride a resolução 1.718 de 2006 do CS", diz o comunicado, divulgado pelo embaixador do México Claude Heller, que ocupa a Presidência rotativa do Conselho.

O comunicado também ordena que o Comitê de Sanções da ONU reforce tanto as sanções financeiras contra o país como o embargo de armas já em vigor.

O correspondente da BBC na ONU, Matthew Price, no entanto, afirma que é preciso esperar para se saber o quão longe os países-membros irão para reforçar as sanções contra a Coreia do Norte.

"Forte e positiva"

O embaixador japonês para as Nações Unidas, Yukio Takasu, classificou o lançamento da Coreia do Norte como uma "ação provocativa" e afirmou que não há dúvidas de que os termos da resolução 1.718 foram desobedecidos.

Tóquio estava pressionando o CS a adotar uma resolução que declarasse que Pyongyang havia infringido a resolução de 2006, mas a medida recebia oposição da Rússia e da China.

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, afirmou que o comunicado do Conselho de Segurança foi "forte e um resultado positivo".

"Os Estados Unidos estão satisfeitos com o fato de o Conselho ter divulgado um comunicado forte e unânime", afirmou Susan Rice.

Ela ainda afirmou que o comunicado "claramente demonstra que não pode haver futuro em lançamentos do tipo".

Já o embaixador chinês nas Nações Unidas afirmou que o comunicado foi divulgado em um momento "delicado" e pediu moderação a todos os lados envolvidos na questão.

Negociações emperradas

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, comemorou a decisão do CS e afirmou que ela manda uma "mensagem unificada da comunidade internacional sobre o lançamento".

Em um comunicado divulgado por seu porta-voz, Ban afirmou que a "resposta unificada" do Conselho pode abrir caminho para progressos nas negociações para resolver as "questões consideráveis" na península coreana.

Ele afirmou ainda que estes progressos podem incluir "a retomada das negociações de seis partes (sobre o programa nuclear de Pyongyang) e o diálogo entre as duas Coreias".

As negociações de seis partes - que envolvem Estados Unidos, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Rússia, China e Japão - foram interrompidas após dificuldades na verificação do desligamento da usina nuclear de Yongbyon, na Coreia do Norte.

A Coreia do Norte havia concordado em desmantelar a usina em troca de auxílio internacional, o que fez com que os EUA retirassem o país de sua lista de financiadores do "terrorismo".

Para o analista da BBC Paul Reynolds, ainda não está claro quais foram as intenções de Pyongyang com o lançamento do foguete no início do mês.

Segundo ele, o país tanto pode estar tentando desenvolver uma arma nuclear e os meios para lançá-la, como pode estar apenas querendo chamar a atenção da comunidade internacional.

Notícias relacionadas