Presidente do Paraguai admite paternidade de menino de 2 anos

Presidente Fernando Lugo (arquivo)
Image caption Lugo admitiu relacionamento com mulher de 26 anos quando era bispo

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, disse nesta segunda-feira que teve um relacionamento com a paraguaia Viviana Carrillo, de 26 anos, e reconheceu ser o pai de seu filho de dois anos, Guillermo Armindo.

"É verdade que tive um relacionamento com Viviana Carrillo. Diante disso, assumo todas as responsabilidades que possam ter ocorrido a partir deste fato, reconheço a paternidade do menino", disse Lugo, em entrevista transmitida por emissoras de televisão locais.

Lugo disse ainda que não pretende fazer mais declarações sobre o assunto. "A partir deste momento e atendendo o interesse superior, a privacidade da criança, as altas responsabilidades que, ao mesmo tempo, me impõe o exercício da Presidência, não farei mais declarações sobre este assunto", disse Lugo, que era bispo da Igreja Católica na localidade de San Pedro quando o episódio ocorreu.

Desde que disse que queria que Lugo reconhecesse a paternidade de seu filho, Viviana Carrillo se transformou em um dos principais assuntos da imprensa paraguaia.

Na quarta-feira passada, véspera do feriado de Semana Santa, advogados entraram na Justiça pedindo a Lugo que admitisse a paternidade. A partir da iniciativa, um juiz da cidade de Encarnación abriu processo contra o presidente paraguaio. Mas Carrillo desautorizou os advogados que tinham tomado a iniciativa.

Reações

As declarações de Lugo nesta segunda-feira sacudiram a política local. A ministra da Mulher, Gloria Rubín, apoiou a postura do presidente. "Acho sensacional. Admiramos sua sinceridade", afirmou.

Por sua vez, o ministro do Interior, Rafael Fillizola, acusou os advogados que entraram com ação na Justiça de serem ligados ao ex-presidente e opositor Nicanor Duarte Frutos.

Ao mesmo tempo, o bispo Mario Melanio Medina parabenizou a "valentia" do presidente. "Dou meus parabéns. É um ato de valentia, e antes tarde do que nunca", disse.

Quando lhe perguntaram se a Igreja poderia chegar a adotar alguma medida contra Lugo, já que ele ainda era bispo quando teve o relacionamento com Viviana Carrillo, o bispo respondeu que não, porque hoje Lugo já é "laico".

Na opinião da juíza da Infância e da Adolescência, Ana Ovelar, o presidente deverá comparecer "pessoalmente" ao registro civil para oficializar a paternidade que acabou de reconhecer. "Só assim, a declaração dele terá validade", disse à rádio Uno.

Lugo foi eleito em abril do ano passado e assumiu o cargo em agosto. Sua eleição foi histórica, ao marcar a derrota, pela primeira vez em décadas, do Partido Colorado.

O presidente paraguaio iniciou sua campanha eleitoral quando ainda era bispo. Para ingressar na carreira política, acabou renunciando ao cargo religioso. Em um caso inédito, o Papa Bento 16 aceitou seu pedido de renúncia para se dedicar à política.